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Não há como!

Sobre dor

Hoje li que “a dor que sentires hoje é a força que vais sentir amanhã”.

Quem me dera que fosse assim, mas a verdade não é sempre assim, quer estejamos a falar de dor física ou dor psicológica.

Lamento dizer, mas não é. Poderá ser para algumas pessoas ou em algumas situações, mas para outras as dores vão-se acumulando e, de repente, as pessoas podem ceder por não terem mais forças!

Hoje, toda a gente usa e abusa do positivismo e renega à dor como se isso fizesse a dor desaparecer, mas não. Nem a dor desaparece, nem as pessoas podem ser sempre felizes. E há pessoas, inclusive, que têm em si a dor permanente, seja física ou psicológica e não são mais fortes por isso. Vão ficando mais fracas, mais vulneráveis e precisam de arranjar motivações amiúde para não desistirem. Às vezes, desistem.

Ouvimos falar delas. Ninguém sabe explicar as razões e as pessoas falam em “depressão” como um bicho papão que mata, que mata gente fraca, mas gente fraca não existe. Existe gente saturada da dor, que precisa de se libertar dela exatamente porque a dor não traz força, traz desgaste, traz um sentimento imenso de incompreensão e um enorme vazio.

E são aqueles que bombardeiam a toda a hora frases como esta é que se colocam no lugar dos que não conseguem compreender a dor alheia. Tudo, porque a dor não é visível. A dor é invisível e é íntima, é só de quem a tem. E, mesmo para quem sabe o que é a dor, é difícil imaginar a dor do outro. Será maior, menor, igual?

Não. A dor não faz ninguém mais forte. Forte ao aguentá-la, mas ela é implacável e cruel. Não dá hipóteses, massacra e destrói. Luta-se heroicamente contra ela e ela até pode perder uma ou outra batalha, mas no fim é ela que leva a melhor.

O pior de tudo é ter empatia com quem sente a dor, nos dias que correm, porque é quase obrigatório ser feliz, é imperativo viver em constante alegria, renunciando à tristeza e toda a gente vai atrás desta “moda”, disfarçando as dores que já por si são invisíveis. Todos optam por viver em modo “eu é que importo” e esquecem-se que os outros também lá estão. Crescem os fossos e as distâncias. Aumenta a solidão individual de pessoas que vivem com pessoas.

Que força é essa feita de dor?

Ana Marta

Ana Marta, nascida em Sintra a 22 de Abril de 1971 e mãe de 3 filhos, desde cedo revelou o seu interesse pela escrita e pela Literatura, começando por escrever pequenos poemas durante a adolescência, época em que estudava Literatura Portuguesa. Ávida leitora desde que aprendeu a ler, sempre consumiu livros dos mais variados géneros literários e escrevia, em diários, textos sobre o que o seu coração sentia. Algumas décadas mais tarde, viria a publicar num blogue intitulado "Inexplicavelmente", textos da sua autoria e que, mais tarde, atraíram milhares de seguidores na sua página de Facebook, atualmente "ANA MARTA". Em 2020, lança o seu primeiro livro "Inexplicavelmente".

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