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Crónicas

Mulheres

Mulher. Palavra feminina com duas sílabas. Ser humano que funciona em sistema duplo; dois seios e dois ovários. Recetáculo de vida e objeto de desejo. Forma de ser e de nascer. Maneira de estar e de viver. Mulher, ser complexo como qualquer humano. Mulher, ser esquecido ao longo da história do mundo. Mulher, a que tem em si a continuidade da vida. Mulher, ódios e raivas que se acumulam. Mulher, mãe que nunca deixa de o ser.

A mulher tem sido desprezada e enaltecida durante séculos mas a sua luta é tão poderosa quanto ancestral. Desde os grupos reprodutores, na pré-história, onde o seu valor era imenso, à mulher da atualidade, o caminho foi gigante. De ser que se reproduz a ser que influencia, todo o percurso foi repleto de altos e baixos, sem que o seu real valor fosse visto.

Um dos símbolos mais utilizados para representar o sexo feminino é o símbolo de Vénus, que remete à deusa mitológica com o mesmo nome, Vénus, ligada ao amor e à beleza, na mitologia romana. Já na mitologia grega será a Afrodite, o ser que tanto atrai. Na antiga alquimia, o símbolo de Vénus era a representação do cobre.

Na infância é a menina, depois passa a rapariga, mais tarde toma o nome de mulher e na reta final da vida é a anciã. Tantos nomes para a mesma pessoa que caminha na vida de formas tão díspares conforme o tempo. É assim que tem sido olhada ao longo dos tempos, com olhos diferentes e com funções que vão mudando.

Mulher é a primeira casa de cada ser, o porto de abrigo, a mão que dá tudo, o ninho que se vai desenvolvendo. Mulher é nascer, é vida e caminho. Mas não é apenas a mulher que entra nesta equação, o homem tem o seu papel mas é a mulher que abraça e que se sente de forma mais forte e diferente. O amor de pai é divinal mas o de mãe é mesmo especial. Mãe é símbolo de continuidade e por isso pode ser vista como inimiga.

Mulher, tanta luta e conquista, tanto trabalho que nunca para e se agiganta, mãe que nunca deixa de o ser, preocupações a crescer. Mulher, flor que não tomba ao vento e que pode ser arrancada sem direito. Mulher, pessoa que assusta quem não a sabe entender. Mulher, mãe, avó, prima, irmã, vizinha, colega, amiga, confidente, ser humano com sentimentos e emoções, carregada de dores e de alegrias.

Mulher do mundo dito civilizado, que trabalha e é aceite como igual. Mulher que se debate, em si, que se quer conhecer e sabe que nunca o irá conseguir. Mulher que tem qualidades e defeitos, que é vaidosa e invejosa, que é terna e doce, que é compreensível e atenciosa, que é solidária e útil. Mulher, tanto que em si encerra e revela.

Mulher de outras paragens, que é vista como inferior, que lhe são retirados os direitos essenciais, como saber ler e escrever, como saber como pensar, como escolher como viver, como ser mulher e decidir. Encerradas em gaiolas que têm grades douradas e outras ferrugentas, nesses mundos, não são seres, mas sim bens que podem ser negociados.

Mulher que apenas é procriadora ou objeto de prazer, sem identidade nem forma de se manter, prisioneira da sociedade, esquecida por um mundo onde os seres são separados por diferenças biológicas e irracionais. Mulher, que tem que estar sempre disponível para o homem satisfazer. Mulher que nem o prazer pode conhecer. Mulher, a quem lhe foi vedado o direito de viver.

Mulher, ser que se irrita e disparata contra as suas iguais, perde a cabeça e deixa de ser racional, fazendo o que não quer e se enciúma sem querer. Mulher que apresenta defeitos, que sabe que os tem mas que os pode minorar, nunca deixa de ser mulher mesmo que os possa querer ignorar. Mulher, ser humano que ainda não se completou.

Mulher, braço gigante que se estende e acolhe os seus filhos e os dos outros, a que leva em conta a educação e quer o melhor para os seus e os dos que, uns dias ou anos, são seus por empréstimo. Mulher, mãe eterna e ser que se sabe como desdobrar mesmo que as dores sejam tão fortes que não saiba onde se agarrar. A mulher não vacila e avança, ameniza as contendas e procura as melhores soluções.

Mulher, órgãos que se arrumam de forma específica e que atrai em todas as direções. Mulher, força que se encerra no ventre e no coração, que se dilata tantas e tantas vezes que não sabe como mais se esticar. Mulher ou ser mulher. Talvez apenas isso, mulher.

Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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