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Televisão

Mais um artigo sobre a Casa de Papel.

Já muita tinta correu desde a estreia da série espanhola Casa de Papel em 2017. O serviço de streaming Netflix apostou e ganhou. Casa de Papel é uma série com um registo acelerado, nervoso e sexy. As personagens são intensas e atraentes e o argumento, apesar de ser uma solução repetida, é entusiasmante e bem estruturado. Casa de Papel tem todos os elementos para ser televisão de sucesso e nessa missão não falha.

Vi as 4 séries da Casa de Papel no confinamento de 2020, tenho alguns entraves em abraçar modas pelo que devorei a série quando toda a gente já lhe tinha feito a digestão. O Professor e o seu louco grupo tornaram-se meus fiéis companheiros durante algumas semanas e o fim da quarta série deixou-me em contagem decrescente para a quinta e última série da Casa de Papel. Foi há uns dias que vi a primeira parte (há que espremer bem o conceito) do final da Casa de Papel e agora que Squid Game já domina a Netflix e arrumou para o lado a série espanhola, produto da velocidade sufocante do mundo em que vivemos, já podemos pensar a frio em alguns aspectos da série para além da série.

Casa de Papel é uma série espanhola, escrita por Alex Pina nascido em Pamplona e interpretada por actores espanhóis e hispânicos. É uma mega produção, digna de estúdios de Hollywood, tem como principal cenário a cidade de Madrid mas não deixa de passar por várias outras cidades espanholas onde as personagens bebem Estrela Galicia e comem tapas. Norte-americano que não tivesse ainda ouvido falar de Espanha, certamente que ficou atento ao nosso vizinho ibérico. Esta última parte da série também passa por Portugal, quase em jeito de favor, Tokyo passeia por Lisboa deixando-nos a sensação que, mais uma vez, vamos no embalo de Espanha. Não escrevo isto com nenhuma mágoa, que fique claro, apenas com alguma frustração derivada do peso de anos e anos de história lado a lado em que Espanha se faz, e bem, um país mais alto que Portugal.

Ao ver a Casa de Papel não posso deixar de fazer algumas perguntas simples e claras: Será que Portugal não tem matéria-prima para fazer algo do género? Será que não temos escritores e argumentistas para uma Casa de Papel? Será que não temos actores atraentes e versáteis como Ursula Corberó (Tokyo) ou Alvaro Morte (Professor)? Será que não temos cidades deslumbrantes com monumentos fantásticos que sirvam como pano de fundo a uma série de acção?

Sempre rejeitei esta relação de amor-ódio com Espanha que nos é incutida desde tenra idade. Adoro Espanha, sinto-me em família quando converso com um espanhol e até acho, pasme-se, que se come lindamente em Espanha.

Apenas pergunto, o que é preciso para assaltarmos o Banco de Portugal?

Rita Ramos

Escrevermos sobre nós próprios, no sentido de nos darmos a conhecer a quem nos lê, acaba sempre por ser ingrato. Somos um nome? Uma idade? Uma formação académica? Eu quero acreditar que somos tudo o que vivemos, que somos tudo o que nos rodeia e que absorvemos, que somos quem amamos, que somos os livros que lemos e as viagens que fazemos. Somos um conjunto de tudo e de nada. Quanto a mim, sou a Rita, tenho 37 anos, sou licenciada em Relações Internacionais, sou casada, sou filha e mãe, e as palavras têm sido a minha maior companhia ao longo da vida.

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