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PolíticaPortugal

LIBERDADE.

Opinião e Direito de Voto

Qual a responsabilidade do indivíduo na escolha dos seus governantes?

Que indulgência é esta a de escolher governantes corruptos comprovados, justificando a suas acções de corrupção porque “fizeram o bem”? – entenda-se por bem, o simples facto de passarem as suas terras a ser vistas, quando antes eram apenas meros baldios do conhecimento nacional. Que mesmo enchendo os bolsos com dinheiros públicos, o povo atento, os idolatrar e compactuar, impávida e serenamente, fechando os olhos.

Sabemos bem o abuso do poder local! Há imagens, bem recentes, do abuso pardo e do desrespeito para com os cidadãos. Vergonhoso. Desumano.

Conhecemos, de cor, a esterilidade dessas inconsciências e o tanto que debilitam as fragilidades de outros (que não as entendem ou questionam e, ainda assim, lhes criam altar).

Verbaliza-se, com todos os dentes que a boca tem – ou não tem, palavras soltas com desdém de quem as critica. Apoiando, incentivando, desresponsabilizando e, a si mesmo, esta verdade que se finge oculta.

Uma mera opinião esta! Num texto que aponta liberdades.

Quem sabe se liberdade, opinião e direito de voto caibam numa mesma frase. Ou, apenas sejam opostos, antíteses, rivais que só esta coincidência os refere juntos?

Uma consciência própria que os entende aqui e, no seu pensar, legitimidade encontra para os fazer dúbios.

Muitas questões? Senão entenda-se através de uma conhecida passagem da Declaração da Independência Americana:

“Tomamos como verdades evidentes que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo seu criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Que para garantir estes direitos, são instituídos entre os homens Governos cujos poderes derivam do consentimento dos governados. Que sempre que qualquer forma de Governo se torne contrária a estes fins, tem o Povo o direito de a alterar ou abolir, e de instituir novo Governo…”

Está tudo aqui…

Voltamos atrás no tempo, naquele dia em que, pela primeira vez, as eleições foram livres em Portugal. Há 46 anos atrás, no ano de 1975. Os portugueses saíram à rua para votar e, filas e filas de gente, serpenteavam nos locais de voto, ansiosas para ter a voz que nunca tiveram.

E, neste exímio acto cabem todas as palavras de liberdade, opinião e direito de voto.

Coisas da memória que não mais fazem sentido e deste catatonismo que agora se vive, se permite a não questionar, não entender, não participar, não ter voz? Abstenção sim! Voto não!

Reflectindo sobre o nefasto absentismo ao voto, usam-se palavras de ordem, como livre e liberdade para lembrar da (ir)responsabilidade de cada um perante este “putrefacto” estado de coisas.

O que é, afinal, esta liberdade, que enche as nossas bocas de verdade, mas nos paralisa nas acções em cada novo dia? Será palavra, movimento, condição, comportamento, cultura, moda, política, erro ou lição? Esquecendo que somos titulares da vida sua e dos outros e responsáveis, igualmente, por observarmos cúmplices, os podres do nosso país?

“O que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a criar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! (…) Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de “homenzinhos” e “mulherzinhas”. Temos é que ser gente, pá!”

José Afonso, Entrevista a Viriato Teles, in «Se7e», 27/11/85

http://www.aja.pt/eu-dizia/?fbclid=IwAR0dSihvPY_Xwd033ozhKZONKBytT57s8dGriTWeqS8nFvwmIiP96IS63-U

Não votem! Ontem e nas próximas vindouras. Sejam livres e sem opinião e tenham a certeza que George Orwell, no seu romance 1984, já antevia uma sociedade totalitarista, absorta num big brother ilusório e controlado, com slogans dum partido governativo que diziam:

GUERRA É PAZ

LIBERDADE É ESCRAVIDÃO

IGNORÂNCIA É FORÇA

Talvez este texto tivesse outro chamar, um título diferente, apelativo, pertencente a uma verdade absoluta, de gentes acordadas e de olhar futuro. Participativa. Responsável. Sociedade activa.

Se assim fosse, chamar-se-ia: democracia. responsabilidade e justiça social.

 

Carmen Martins Ezequiel, 2/Outubro/2021

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico

Carmen Ezequiel

Carmen de Jesus Martins Ezequiel nasce a 8 de Abril de 1975 em Queijas, freguesia de Carnaxide, concelho de Oeiras. É sonhadora, brincalhona, impulsiva, emotiva, com uma força interior capaz de mudar o mundo… pelo menos o seu. Em Vila Boim, bela terra do Alto Alentejo, cresce e nas suas planícies se norteia para fazer da poesia o seu modo de viver a vida. Trabalha numa área à qual nunca imaginou actuar e do contato com o sofrimento e angústias diárias, valoriza o ser acima do estatuto e escreve a sua história com palavras geradas das emoções. É feliz por saber que o que faz tem impacto nos outros. Em paralelo, expõe esses sentimentos e experiências vividas no papel e dá-os a conhecer aos outros participando activamente em colectâneas, antologias, jornadas, artigos de opinião, e outros de âmbito literário e cultural. A autora não utiliza o Novo Acordo Ortográfico.

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