Worth: Valor da Vida (2020) – Crítica

What – is – life – worth?

– Ken

Este filme conta a história de Ken Feinberg (Michael Keaton), um advogado que é contratado para decidir e atribuir compensações às famílias das vítimas do ataque de 11 de setembro, colocando-se a questão : Quanto vale a vida de uma pessoa?

Achei que era um filme com enorme potencial pela premissa e pelos talentos envolvidos, mas, infelizmente, foi uma premissa desperdiçada numa pobre execução. O que assistimos aqui são uma série de conversas sobre como se pode compensar uma vida humana e a dicotomia do povo em aceitar ajudas do estado, tocando em temas como a desconfiança que se tem sobre o governo como instituição.

A certa altura o filme torna-se monótono neste sentido, parecendo algo vazio de um propósito. A tragédia do 11 de setembro é, ainda hoje, uma dos mais terríveis acontecimentos de que a população geral tem memória e este filme trata este tema com demasiada leviandade. Parece ser um filme feito mais para alertar a mensagem dos benefícios (ou a falta deles) que foram dados às famílias das vítimas do atentado terrorista, e não muito preocupado em criar uma história cativante e com uma linha de raciocínio,

Outro grande problema com este filme é o seu ritmo, mais conhecido como “pacing”, que é demasiado aborrecido para o seu próprio bem, existe uma pretensão de querer tornar simples conversas com uma longa duração entre duas pessoas em algo muito interessante e, embora, alguns filmes consigam fazer isso resultar, este não é um exemplo. Um filme muito lento para o pouco que parece ter para contar

Michael Keaton, Amy Ryan e Stanley Tucci fazem um trabalho competente a nível de representação mas infelizmente não têm um bom guião com o qual trabalhar. Keaton destaca-se ainda assim mostrando alguma subtileza emocional em várias cenas.

WORTH (2021) Stanley Tucci as Charles Wolf. Cr: NETFLIX

Acho, também, que o final do filme é fraco mas apenas corresponde àquilo que constrói em toda a parte inicial do filme, parecendo que nada verdadeiramente importante está em jogo e por isso quando o final chega não tem , a meu ver, qualquer impacto.

Outros aspetos como banda sonora, cinematografia e edição não merecem também especial destaque. Premissa com potencial e com um tema importantíssimo mas uma execução vazia.

* CUIDADO COM SPOILERS *

Como já indiquei, achei este filme fraco na sua execução, existiram, no entanto, alguns pontos positivos.

Uma boa parte do filme é contada através de entrevistas que são feitas a diferentes membros das famílias alvo do fundo de benefícios, e estas entrevistas apresentam uma grande dose de credibilidade, parecendo por vezes quase um documentário com as reais pessoas a serem entrevistadas e apreciei esta característica do filme.

Outro ponto positivo trata-se da personagem Charles Wolf (Stanley Tucci) interpretar um homem que perdeu a mulher na tragédia e que cria uma ligação inesperada com Ken, através de vários pontos de entendimento como o gosto por Ópera, enquanto lidera e representa todas as outras famílias afetadas.

A minha cena favorita é de facto uma cena de ópera que acontece a meio do filme e em que vemos a personagem de Ken a lidar com várias dúvidas internas que tem relativamente ao cálculo que está a ser feito para atribuir as compensações, e tudo com uma letra de música no espectáculo de ópera que encaixa na perfeição.

Tirando estas cenas não existe nada que possa realçar, são duas horas com pouco conteúdo e com uma extensão desnecessária, quando querem apenas alertar para um tema e não fazer um filme com propósito.

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