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Almocei num dinner americano, na Alemanha

Tudo, enquanto via uma novela portuguesa numa televisão australiana

Não, este título e subtítulo não têm demasiadas referências. Pelo menos tendo em conta a dimensão do globo azul que ocupamos. E, sim, já muito foi dito sobre estarmos todos ligados, apesar da distância física entre nós. (“Isto, agora com os aviões, é um pulo daqui ao Japão.”) Mas a verdade é que não deixo de ficar admirada com a facilidade de intercâmbio de objetos, estilos, ideias, produtos culturais e… vírus, claro está.

Quando foi anunciado o primeiro caso de coronavírus em Portugal, o meu instinto de sobrevivência não se alarmou por aí além. A solução, em caso de necessidade, era muito simples: ia para a vila onde sempre morei, bem longe, para o bem e para o mal, daqueles sítios que têm autocarros, metro, aviões e, até, supermercados dos grandes. Um luxo.

Contudo, bem depressa o meu ninho de segurança revelou ter serpentes escondidas. O telemóvel deu conta de conhecidos que tiveram o desplante de abandonar a paz do cabo do mundo e irem passear para a França e para a Itália. Resultado: eles ficaram de quarentena e a paz ficou ameaçada.

Senti-me tola por um dia ter pensado que a vila estava cercada por uma redoma forte e inabalável. Esmurrei os preconceitos, ao perceber que, hoje em dia, até as gentes que ficaram na vila saem para ir ver o que se passa nos sítios onde coisas acontecem.

No meio de todo o caos, aprendi que nem a vila está a salvo, mas reconheci que a expansão de horizontes não está, afinal de contas, perdida. E, não, isto não é um discurso condescendente. Sou apenas eu a reafirmar que a globalização é extraordinária.

Quando estive na Alemanha, o coronavírus ainda não andava (muito) a fazer das suas. Por seu turno, a ideia de globalização estava bem materializada nos passos que dava, o que me leva a um novo disclaimer: apesar de tudo o resto no título e subtítulo ser verdade, não sei se aquela caixinha mágica era mesmo australiana. Mas não me admirava nada que fosse. É que isto, agora, da Alemanha à Austrália é um pulo.

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Florbela Caetano

Ligar o rádio é a primeira coisa que faço ao acordar. E isso já diz muito sobre uma jovem adulta, no século XXI. Como se este desajustamento não bastasse, gosto dos mundos que se dizem contraditórios: a publicidade e o jornalismo. Trabalho no primeiro. Procuro formas de me manter ligada ao segundo.

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