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Crónicas

Os loucos anos 20 do século XXI

Vivemos tempos conturbados e assustadores. Em plena época da tecnologia, onde o chip se tonou rei, um pequeno ser, microscópico, da família dos vírus, tomou as rédeas da vida de todos e tornou-se o maior ditador dos últimos tempos. Num ápice, aprisionou milhares de pessoas e exterminou muitas, deixando ficar um rasto a sangue, medo e morte.

Era suposto estarmos preparados para enfrentar as antigas pragas, com as que assolaram o Egipto, os gafanhotos e tudo o que levava por arrastão. Seria correcto haver um modo de evitar estes agentes patogénicos que são altamente mortais. Deveria ser esta a sociedade em que se podiam aproveitar os frutos do árduo trabalho dos nossos antepassados.

Certas doenças foram erradicadas e vivia-se com mais saúde e tranquilidade. Mesmo sendo o ser humano um especialista em estragar o que de bom lhe é fornecido, consegue ver os lados mais luminosos de tudo e banquetear-se com os despojos das conquistas anteriores. Até que fica cego e deslumbrado com a facilidade como as conseguiu.

Sem monstros imaginários para combater nem inimigos reais para serem derrotados, o homem perde-se com a ausência do medo e das dificuldades. A estrada lisa e amarela por onde caminha, tem placas de sinalização que anunciam os perigos e as portas de saída. Deixou de pensar por si e é guiado por um puro dogmatismo que o leva a cair num profundo e complicado abismo.

Sem se dar conta envolve-se numa teia tão fechada que não encontra nem um espaço para respirar. Está rodeado de inimigos e afinal é sempre o mesmo, o invisível que, com a maior das facilidades, arrasta os incautos e desprevenidos para um poço com um eco estrondoso. Não há quem o consiga resgatar sem que o medo esteja ao seu lado.

A História repete-se. Os seres humanos morrem. Uns de doenças, outros de acidentes e outros ainda de velhice. A vida não é imortal, mas chegar ao fim é sempre problemático. Estamos perante uma nova guerra mundial que se vai espalhando de modo silencioso. Sem o barulho das bombas parece estar tudo tranquilo, mas o certo é que o cenário é violento.

A loucura tomou conta de tudo. Há os que percebem a gravidade de situação e, como sempre, resiste um grupo de inconscientes que julgam não ser nada de preocupante, não medindo as consequências dos seus actos. A realidade exige muita calma e precaução, pois a vida tem que continuar. Prudência.

Estamos em estado de alerta. A quarentena foi decretada. É para um bem comum. O altruísmo e a empatia, sobretudo, esta última palavra imbuída de significados vários, mas essenciais, devem ser as guias para o sucesso de tudo. Nunca se viveu uma situação destas. Somos novatos, mas esperançosos. Há que confiar em quem nos guia. Havemos de conseguir.

Salvemos vidas para que se mantenham com qualidade. Todos iremos morrer um dia. Até lá, que o tempo restante seja vivido em plenitude, com alegria e na maior das liberdades. Continuem a cuidar dos vossos jardins interiores e não se esqueçam do primordial: sejam felizes!

Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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