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Sociedade

Não à igualdade de género

Não, não quero a igualdade de género. Acham que estou a brincar? Acham mesmo que quero ter o “direito de urinar em pé”? Desculpem-me os mais sensíveis por estas palavras cruas e a imagem inestética, mas talvez assim consiga fazer-me entender. Uma imagem vale por mil palavras, não é assim? Tanto homens como mulheres andam ainda muito enganados quanto à questão da diferença de géneros.

Este debate já dura há muito tempo, há tempo de mais (recordo-me dele desde que me lembro da minha pessoa feminina). As primeiras diferenças entre género revelaram-se a mim através da minha mãe, naquilo que ela achava que uma menina podia ou não fazer, aquilo que era ou não apropriado. Não sou assim tão velha, garanto-vos. Para a minha mãe, no entanto, fui nesse sentido, um osso mais duro de roer do que a minha irmã mais velha. Porquê? Entre mim e ela, nasceram dois rapazes, bad luck (azar)!

Surpreenderam-me (mais provavelmente terei ficado indignada) as primeiras vezes ouvir algumas das expectativas que a minha mãe tinha em relação a mim, mas não em relação aos meus dois irmãos. Na minha cabecinha, não me fazia sentido eu ter de fazer algumas tarefas e dispensar os meus irmãos delas. Que injustiça! Mal eu sabia o que me esperava, o que se me iria revelar aos poucos e poucos, de forma insidiosa e socialmente tão bem aceite que parece disparatado se quer referir.

Reparemos na própria língua e o português não é minimamente uma excepção. Perante um grupo constituído exclusivamente por elementos femininos, usa-se uma adjectivação no feminino. Porém, basta um homem e tudo muda, para o masculino – é claro – e genericamente, as palavras são ditas no masculino.

Se no próprio veículo de comunicação está tão profundamente intrincada esta questão, como esperar resolvê-la? A palavra precede e comanda a ação! Faz sentido por isso que seja o discurso que tenha de começar a mudar. E eu começaria por mudar a igualdade e substituir por equidade. Para mim, é muito mais uma questão de equidade. É que as diferenças entre homens e mulheres existem claramente, assumidamente, de forma física, visível e palpável até nos não ditos.

Ouve-se muitas vezes dizer que uma mulher pode fazer tudo o que um homem faz. Esta afirmação levanta duas reflexões:

  • Pode sim, e quer?
  • Um homem também pode fazer tudo o que uma mulher faz

Deixemo-nos de criancices, de medir e competir. Isso é apenas perpetuar esta guerra dos sexos, guerra que é tão insensata como qualquer outra. Se entre culturas é a diversidade que enriquece e que acrescenta ao ser humano, o mesmo se aplica aos géneros. A diferença e segregação tem sido muito mais exacerbada pela sociedade do que esta seja evidente naturalmente. Se deixarmos as diferenças fazerem a sua magia, o resultado é poesia, é música, é complementaridade é harmonia, tal como o dia e a noite são a continuação um do outro.

Queremos ser iguais aos homens? Não acredito, ninguém quer ser apenas uma cópia que fica sempre aquém do original. Queremos, sim, ser livres de voar, de nos desenvolver, de sermos nós mesmas, como o seríamos apenas entre mulheres onde não existem temas tabu que os homens considerem impróprios, como por exemplo o tema da menstruação tão estigmatizado. Nem ousam dizer a palavra. Há mil e uma formas de a contornar e muitas vezes com aproximação a outros temas que cai no ridículo. É um negar da própria humanidade, pois é a sua génese. Só me apetece dizer que é uma loucura.

Queremos igualdade? Não, queremos ser pares. Poder ser parte activa da sociedade e contribuir com peso e medida igual aos homens: um quilo de morangos equivale a um quilo de bananas. Embora morangos e bananas não sejam iguais pertencem ao mesmo grupo, o da fruta. Mais uma imagem simplista, mas funciona, não é? Qualquer criança, independentemente do sexo consegue perceber.

Aceitação – aceitemos as nossas diferenças. Hoje impõe-se uma nova descoberta de ambas as partes. Os estereótipos que ainda são muitas vezes veiculados por meio da educação, estão demasiadas vezes contaminados pelo vírus do preconceito (sim, desse que é muito mais letal, ninguém fala). Há sempre forma de conciliar e o primeiro passo é não julgar. Quem nunca precisou de ajuda para pregar um botão ou cozinhar um prego?

Lucie Marinho

Eu não sou ninguém, apenas aquilo que tenho de ser para mim própria, e assim, poder ser para os outros. Não acumulo feitos nem glórias, sou somente o cumulativo das minhas escolhas ou a falta delas! E neste percurso, apercebi-me que procuro o brilho de um pensamento claro, perdido no caos da ilusão. Apenas essa consciência, torna-me feliz: encontrei o meu caminho!

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