Pertencemos a uma sociedade rotulável, somos etiquetados logo à nascença, como se fossemos embalagens a serem consumidas e mais tarde descartáveis.
Há necessidade de rotular não só as coisas como as pessoas para termos o controle absoluto sobre elas.
O que são rótulos? São apenas nomes usados inconscientemente para identificar algo ou alguém. Os apelidados de “diferentes” são tão-só produtos de um contexto social consumista e preso ao julgamento superficial.
Numa sociedade que pretende ser igualitária não deveria haver lugar para este tipo de juízos acerca do outro.
Os julgamentos incluem vários tipos: sobre tendências sexuais, neurodivergências, políticas, religiosas, raças e etnias. Ninguém está ileso.
Começa pela adjetivação a que ficamos sujeitos logo nos primeiros anos, na escola. Desde apelidos e alcunhas: por exemplo, “burro”, “mentiroso”, “invejoso”, “gordo” ou “trinca espinhas”.
Quando alguém julga o outro, não se trata desse mesmo, mas da pessoa que o qualifica. Apontamos um dedo, não tendo consciência que estamos a apontar dois dedos para nós próprios. Somos espelhos uns dos outros e raramente reconhecemos as nossas sombras.
A empatia é a melhor solução. Às vezes, o silêncio a melhor resposta.
Devemos ter consciência e combater a origem, como um cancro na sociedade, face às consequências nefastas que daí podem advir como a exclusão social e a discriminação. As feridas individuais a nível profundo provocadas naqueles que são considerados “diferentes” podem levar a situações graves a nível psicológico/mental irreversíveis. Deparamo-nos muitas vezes com desfechos brutais, como a violência física e/ou psicológica, a rejeição familiar e social, o aumento da depressão, dependência, ansiedade e até suicídio.
Os preconceitos continuam bem enraizados e existe também uma desinformação, por exemplo, em relação aos neurodivergentes, pessoas cujos cérebros funcionam de maneiras diferentes do padrão neurotípico, não sendo por isso, inferiores aos outros. São eles os que estão no espetro do autismo, os que têm TDHA, dislexia, entre outros.
Há exemplos na História de vários génios que se incluíam nestes “estereótipos”. Eram e continuam, muitas vezes, a ser chamados de “antissociais”, “lentos”, “preguiçosos” ou “desatentos”, “estranhos”, etc.
Como acabar com esta discriminação permanente?
Penso que através de uma educação inclusiva, trazendo estas temáticas para as escolas e espaços públicos, da representatividade, promovendo a presença positiva de pessoas LGBTQIA₊ , neurodivergentes, por exemplo nos media, educação e liderança.
Promover, acima de tudo, a empatia ativa: saber ouvir, respeitar e validar vivências diferentes da sua.
Todos somos diferentes, todos somos iguais e todos fazemos parte de um todo universal. É a diferença de cada um que nos completa mutuamente. Desde a cor da pele, religião, língua, etnia, todos temos caraterísticas e identidades próprias e únicas. Mas todos nascemos com os mesmos direitos, em especial, o direito à nossa dignidade.
Acabar com o julgamento e promover a solidariedade, a amizade, o amor ao próximo e o respeito mútuo.
Inclusão é a palavra de ordem nos tempos que atravessamos!
Pode ser um cliché, mas fica o apelo:
Abaixo os rótulos que nos separam! Que viva o Amor que nos junta!
NOTA: Este artigo foi escrito segundo as normas do Novo Acordo Ortográfico.
A beleza e a riqueza está na diferença. Seria monótono sermos todos iguais!
A magia da escrita da querida Ondina está na subtileza do Amor com que ela trata as letras. “Castelos de Areia” ilustra essa magnífica magia.
Quando “a” leio o meu coração viaja! ✨🌻