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Hoje NÃO

Não aguento mais.

Mais disto não.

Mais um estalo.

Mais um pontapé.

Mais um olho negro.

Estou prestes a cair num buraco sem fundo que me puxa e me faz ter laivos de loucura, que me amarram num sentimento profundo de terror.

Acho que estou a ficar louca, presa nesta finitude, nesta tortura que me atormenta. Quero fugir, mas não consigo. Meu Deus, porque não consigo? Será por dependência ou decadência? Esta paixão assolapada que me faz ver amor, onde só existe dor. Dor violenta que me desonra a cada agressão, a cada palavra feia, a cada toque contra a minha vontade, que me faz ter nojo de mim própria, muito mesmo.

Corrói-me por dentro esta agonia, este medo que tenho de dizer não. De me recusar a admitir que sou um bocado de carne que não sirvo para nada. Uma escrava.

Ele diz-me isso e eu não digo nada.

Todas as vezes que fico ao escuro, trancada penso, que se calhar deveria enfrenta lo com uma lâmina aguçada e  mostrar lhe que ainda respiro, que ainda sinto.

Este corpo que ele bate, estes olhos que insiste em querer esmagar, para não poder olhar o mundo lá fora, e esta boca sempre amordaçada, têm vida e quer falar, quer viver! Se libertar de alguém que outrora foi amigo e lar, mas a máscara caiu e com ela veio o rosto do mal que convivo todos os dias.

Só Deus sabe. Ele que me abraça, me conforta nas torturas, noites de dor e insônia que tenho passado.

Eu que antes era tão bonita e vivaça, tornei-me feia e acabada.

Mas acabou, estou farta! Farta dele e do seu sadismo.

De me olhar no espelho e não me ver.

Do sangue que cai.

Das marcas feitas tatuagens no meu corpo.

De já não me sentir, só chorar.

Mas hoje vou dizer-lhe Não! E isso deu-me esperança e uma força para me erguer e acordar para a vida. Um poder ilimitado tomou conta de mim e fez-me acordar hoje com uma alegria e uma fé que, mesmo que ele me mate, não me vai tirar. A força de dizer NÃO!

Posso morrer, mas vou-lhe cuspir na cara o Não.

Não quero!

Hoje Não.

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