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Formicófilos.

Que levas aí?

Veneno.

C´os diabos, para que fim?

Por conta das putas das formigas, não me largam a casa.

Trocamos de casa?

Como?

A subjetividade, uma vez mais. Vives hoje naquilo a que eu chamaria um harém.

São formigas!

Bem sei. Culpa do Adão e da Eva, parece-me, que pela forma humana excluíram a possibilidade de existir um Deus dos formicófilos para que esta conversa não soasse a estranha.

Que raio farias tu com as formigas?

Ora, o óbvio, o que seria. Deixava que me percorressem o corpo, com preferência por determinadas partes, creio que me entendes… erogenamente capazes.

E depois?!

O resto era por minha conta. Masturbação formicófila, assim se diz.

E as formigas?

A elas só lhes cabe o passeio, o prazer é meu.

– E amanhã, vens ao 1º de maio?

– Não creio, prefiro que estejam vivos… os caracóis.

Agora sou eu que o digo, c´os diabos, para que fim?

Para o mesmo das formigas. Deixá-los passear em mim, na minha virilidade. Maravilhosa sensação tátil.

Que parafilia a tua!

Não te espanta como a sexualidade humana está muito para além do coito?

Espanta-me mais que saibamos pouco sobre tudo o que envolve esse vasto mundo e os alvos libidinosos que o compõem.

Ainda que me esteja a tentar relacionar com humanos, mentiria se te dissesse que para mim é mesma coisa.

Procuraste contexto clínico?

Não me vi com outra hipótese por não me adequar ao contexto sexual onde vivo, bem sabes. E o bem que me fez, confesso. Vivi com isto entalado na goela, pela ridicularização e rejeição a que estaria sujeito. Fingi-me de outras coisas. E só isto a ti te conto por te saber homossexual e por mais saberes tu que a homossexualidade foi já vista como uma parafilia, alvo das mais absurdas crueldades.

Parece-me que a análise das parafilias estará relacionada com o grau e intensidade da sua manifestação, por poder colocar o próprio e outros em perigo.

E o perigo que não é a ridicularização, a autocensura, a repressão que nos impomos, o faz de conta. O reprimido, quando liberto, poderá ser catastrófico. O alvo do meu desejo transformou-se numa fonte de sofrimento psíquico.

Nada há de melhor que não nos sabermos sós. Que exista sempre outro humano com capacidade de análise, reflexão ao invés da ridicularização.

– Existam contextos clínicos e amigos como tu com quem possa falar.

 – Não penses que com isto salvo as tuas formigas.

 – Experimenta a casca de limão e não tens de as matar. Se optares pelo veneno, talvez devas também procurar um contexto clínico adequado.

 – Creio-te com razão.

Ambos sorriram e seguiram caminho. Subjetividade, meu amor.

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Gabriela Pacheco

Licenciada em Ciências da Educação e Formação. É Gestora de Desenvolvimento e Formação. Tem Certificado de Competências Pedagógicas, Certificação Internacional em Practitioner PNL – Programação Neurolinguística e curso de Graduação em Direcção Hoteleira. Escreve por inevitabilidade. Cultiva a paixão desmedida pela Arte, a Educação e a Formação naquilo que acredita ser a poção mágica para o desenvolvimento humano.

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