O capitalismo foi evoluindo ao longo dos anos. A sua génese começou no mercado medieval, passando pela Revolução Industrial e chegando ao conceito que conhecemos hoje como mercado livre.
Com o presidente dos Estados Unidos da América a reacender a guerra comercial com os principais parceiros económicos, mais do que nunca faz sentido questionar se o modelo capitalista, tal como o conhecemos, ainda é viável ou se, de facto, precisa de ser revisto para devolver esperança às pessoas.
Sabemos que praticamente metade da emissão de CO₂ no planeta é produzida pela China. Apesar de ser um dos maiores produtores do mundo e com uma população superior a 1 bilião de pessoas, não parece existir uma real consciência por parte do governo chinês em melhorar a sua pegada ecológica bem como melhor o seu empenho climático e social.
Se queremos um capitalismo mais justo e assente na esperança e no futuro, então toda a humanidade tem de remar na mesma direção, sem restrições e limitações para uns e total liberdade para outros. O modelo atual não pode funcionar a longo prazo. Terá de haver consensos com todos. As pessoas precisam de esperança, de ver esforços de todos, independentemente da etnia, religião ou ideologia política.
Outra parte importante do capitalismo são os impostos. Em Portugal, existe muita fuga ao fisco, e porquê? Porque as pessoas não acreditam no sistema de redistribuição dos impostos. Não sabem exatamente para onde vai o dinheiro, e os serviços do Estado não têm funcionado corretamente. Praticamente todas as semanas surgem notícias que desacreditam os políticos, com escândalos de desvios de fundos ou esquemas que demonstram à população que os seus impostos não são bem utilizados. As escolas públicas funcionam aos solavancos, com constantes greves que prejudicam pais e alunos. No sistema de saúde, o tempo de espera para uma operação é imprevisível, há má gestão na contratação de novos médicos e uma fuga de profissionais recém-formados para o estrangeiro. Com tanta falta de transparência e inúmeras falhas nos serviços, como pode um cidadão querer pagar os seus impostos de consciência tranquila?
Contudo, existem bons exemplos a seguir. Na Dinamarca, por exemplo, os cidadãos pagam os impostos de livre vontade, como uma “boa obrigação” e não como um fardo. Porquê? Porque sabem para onde é aplicado o dinheiro. Têm escolas gratuitas, universidades gratuitas e um sistema de saúde gratuito que funcionam– pilares fundamentais de uma sociedade que aposta no presente e no futuro. Além disso, a Dinamarca não registou greves de grande escala ou de impacto significativo em 2024. Comprovando que a sociedade dinamarquesa funciona de forma harmoniosa.
No fundo, se queremos dar esperança às pessoas, temos de criar uma sociedade mais justa, com mais ética e transparência. Tem de haver mais rigor na liderança e uma maior consciência de que as pessoas não se importam de pagar ou seguir as regras se virem, de facto, esperança e acreditarem num futuro mais risonho.