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Extinção ou privatização?

Singapura é uma das cidades, talvez a única, quase completamente autossuficiente. Passou de ser uma ilha pobre para uma das mais ricas do mundo. Como? Dizem eles: “que as pessoas são o nosso recurso natural e as políticas públicas são para melhorar a vida das pessoas.” **

Após este período de férias, a temática que me toca é politiquices. Será que escrever política é qualidade ou defeito?

E sempre que se vê fazer política acredita-se: não se chega a lugar algum. Este é o desânimo da população. Esta é a ausência da sociedade pelo contínuo desacreditar nesta Democracia, que aos trambolhões vai andando. Será que se governa a pensar nas pessoas? Para que o país seja autossustentável? Para que se torne rico nos seus recursos naturais? Ou, simplesmente, se governa para que a sociedade seja dependente e incapaz de se transformar?

Nesse caso, uma escolha faço e trago neste texto política e saúde. Ou, será saúde versus política? Ou, política abaixo a saúde? Ou, ainda, a saúde a mando da política?

Poderia ser a habitação. Ou, a corrupção e os casos complexos TAP, BCE, aeroporto, professores, médicos ou, ainda, a autossustentabilidade, tantos outros, para reflexão.

Só que não. A reforma do SNS é o tema em questão. Isto, se eu souber colocar em frases objectivas o tanto que esta reforma é desanimadora. E, que se prolonga desde há muitos anos, e que nada tem de pontual, mas se perpetua no tempo, como alguém cujas rugas o vão envelhecendo.

Contudo, é inevitável abordar este assunto. Primeiro, por que estou “dentro” do sistema. Depois porque é um assunto que deve ser priorizado nas consciências da sociedade, por medo de esquecimento. E, depois do depois, porque as férias dão-nos uma visão mais arejada das coisas, a mente está desafogada de ideias e apolítica. Com os neurónios livres para politizar.

“A História ensina que a subida ao poder e à posição de responsabilidade afecta profundamente a natureza dos partidos revolucionários. A experiência e o bom senso tinham o direito de esperar que o totalitarismo no poder perdesse aos poucos o ímpeto revolucionário e o carácter utópico que o afã diário de governar e a posse do verdadeiro poder moderassem as pretensões do movimento e destruíssem, gradualmente o mundo fictício criado pelas organizações”

– Hannah Arendt, As Origens do Totalitarismo

Em 16 de Agosto, lê-se em notícia: “Direcção executiva do SNS passa a nomear órgãos de gestão dos hospitais e centros de saúde – um passo importante no reforço da gestão estratégica do Serviço Nacional de Saúde”, medida que o Governo assume como um dos planos para a reforma deste Serviço. Acrescentaria, talvez, para o reformar deste SNS que, a muito custo se mantém são, com sintomas visíveis de Parkinson e, dependente dos seus profissionais – que cansados viram as costas; lhe diminuem a crise existencial e o fazem continuar activo.

Também, o ex-bastonário da Ordem dos Médicos critica a reforma das Unidades Locais de Saúde e referiu “não é uma grande reformae devia ter sido discutida no parlamento e previamente avaliada por entidades independentes.

Eu acrescento que é camuflagem para a privatização da Saúde em Portugal. De fininho, entre EPE,s e contratos de prestação de serviços, vai-se, a pouco e pouco, viciando um sistema obsoleto e, já de si viciado, sem vista à melhoria.

O sistema sempre esteve burocratizado, mas, em determinado momento, proclamava-se à humanização dos serviços. E isso era meio caminho para a diferenciação no acto do cuidar. Ainda que se sintam as condicionantes dos tempos de espera, degradação das instalações nos hospitais mais antigos do país, e, tantas outras. Que são alvo de desmotivação por quem necessita dum atendimento na saúde. Muitos lhes viram as costas e vão ao privado. E, acredito, que essa é a solução dos deputados também.

À medida em que se entra numa esfera tecnológica cada vez maior, há a expectativa de que esse sistema alivie no campo das necessidades processuais. (mantenho este parágrafo no tempo presente, como se fosse hoje, o início dos planos tecnológicos, e nos hospitais a burocratização dos processos fosse aliviada pela sua informatização)

Porém, isso não aconteceu. Na mesma medida, complexificaram-se os processos de actuação, as normas implementadas e os registos vão-se mantendo duplicados, pois exigem “ao abrigo da proteção de dados” cada vez mais procedimentos. Porém, cada vez menos conhecimento de quem os pratica e, cada vez menos, sentido de compromisso ou responsabilidade. Apenas se está! Apenas se faz!

Se, anteriormente, os órgãos de gestão duma instituição pública passavam por uma orgânica simples, cujos trabalhadores dependiam quase directamente do poder de topo. Actualmente, o aumento do número de pessoal afecto à gestão intermédia, chefias, coordenadores e subcoordenacões (em pirâmide), dificulta, em muito, a resolução dos problemas porque a comunicação fica bloqueada algures. Como o “jogo do telefone estragado” que, qualquer pessoa conhece e, que diz muito do quão impactante é a má comunicação na gestão da liderança nas instituições públicas.

A Terceirização ou, subcontratação de empresas para efeitos de prestação de serviços; ocupação anteriormente realizada por profissionais afectos à entidade; reduz a qualidade dos serviços, o compromisso do trabalhador e a eficácia/rapidez na solução do problema.

Os tempos avançam, mas nem sempre a evolução caminha a par e par. É necessário mudança. Isso é óbvio. E imperativo!

Só que o que se assiste é o oposto à missão do SNS, criado para humanizar a saúde. Prestar cuidados. Prevenir para erradicar a doença. Educar para a Saúde! Cuidar das pessoas(?)

Será que este é o fim ou o privatizar deste Sistema que, burocratizado, é extremamente necessário? Ou, será, esperança num novo recomeçar?

“Permanece também a verdade de que todo o fim na História constitui necessariamente um novo começo; esse começo é a promessa, a única mensagem que o fim pode produzir. (…) um mundo que, em toda a parte, parece ter chegado ao fim – antes que um novo começo, surgindo desse fim, tenha tido tempo de se afirmar.”

“«Initium ut esset homo creatus est» – «O Homem foi criado para que houvesse um começo»”

Santo Agostinho

Em Singapura há um ditado no serviço público que diz:

Política pública é execução. Execução é política pública.“**

Apenas uma nota de confiança nos tempos vindouros, como expectativa de melhoras da realidade actual e, no acreditar “nos homens de boa vontade”, para que perpetuem o humanizar em prol do automatizar. Instituições são as pessoas!

(**) Referências na minissérie Como viver até aos 100 anos: o segredo das zonas azuis

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Comments 4
  1. A autora toca num tema de actualidade política e social. A reforma da saúde é necessária, mas a que preço? Porque tantas vezes as grandes reformas passam por cima de tantas pessoas que custa a compreender como podem acontecer… num tempo em que tantas verbas se desviam em casos de corrupção ou branqueamento de capitais, é uma lástima que a saúde que a todos importa fique para trás.

    1. Obrigada, Ana!
      Para a saúde a questão do preço nem se deveria colocar.
      Neste momento, os portugueses estão isentos de pagamento de taxa moderadora e ninguém se questiona da equidade entre uns e outros, lesando, não só os cofres do estado, mas aqueles que mais precisam. E, isso, aplica-se a qualquer pessoa. Mesmo que acompanhada em sector privado, com seguro de saúde, mas cujo plafond impede determinados procedimentos que, ao ser referenciado ao sector público, fica automaticamente isenta. Ninguém se questiona sobre isso. Quer seja utente ou não. 😉 Há muitas questões que necessitam de ser clarificadas e, as grandes reformas têm sempre alguns impactos negativos sobre algumas pessoas.

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