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As ideias que não são nossas

Certa noite de insónia, daquelas agitadas em que não paramos de dar voltas e todos os desafios da vida assumem proporções gigantescas, a dada altura de cansaço extremo, o corpo começou a dar-me sinais.

A cabeça parecia ser gigantesca em comparação ao resto do meu corpo que tomara forma súbita de pluma. Assumiu-se pesada em tom de aviso que as cabeças ditam sentença no que diz respeito também ao descanso.

Em noites de insónia, as nossas ideias deixam de ser nossas. São ideias do ego, dos medos, do que teimamos ignorar quando é dia e do que não conseguimos fugir quando é noite. Nesse instante de alerta mental percebi: as emoções são nossas e não se pode fugir delas. São poderosas, mas não podem ser voz de comando de comportamentos. Ganham força quando as ignoramos até que por fim as olhemos de frente e as sintamos na sua essência.

Em sociedade quem mostra o que sente é olhado de viés. Diz-se que se é forte quanto mais nos assumimos guerreiros em sofrimento, mas os conceitos estão a mudar e cada vez mais se compreende e se explica o quanto sentir é importante. Que há formas inteligentes de se exprimirem as emoções. Que não há emoções negativas e que todas elas orientam caminhos.

Sentir faz parte de nós e define-nos enquanto ser humanos. No entanto, o que sentimos não dita quem somos. O medo não dita que sejamos menos corajosos nem amar que sejamos mais fracos.

Pelo contrário, traçam-se caminhos e definem-se rotas. Sabemos que o medo é um alerta e se calhar podemos ir mais devagar. Ou que a raiva se canaliza para se alcançarem objectivos.

Também mascaramos emoções. Sentimos a dobrar para não sentir. Fugimos com comida a mais, comida a menos, fumar demais, dormir de menos, dizemos sem sentir ou explodimos quando devíamos ter sensibilidade. No pior de cenários, o que não se sente transforma-se em dor, mágoa, doenças ou deixamos pura e simplesmente de sentir.

Não é fácil. Quem disse que era? Lidar com emoções é tramado. Termos coragem de olhar frente a frente o que anda aqui por dentro requer coragem. Mas ganha-se em auto-estima. Em desenvolvimento pessoal e em avançarmos para outras paragens.

Em insónias se desmascaram os sentimentos com os quais não queremos ou não sabemos lidar. Mas podemos tentar. Para que a única coisa que nos pese e seja enorme seja esta fantástica aventura que é nos conhecermos.

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Carla Moreira

Fiz teatro e fui jogral de poesia há algumas luas. Ainda piso as tábuas, volta e meia, porque faz parte de mim, nem me vejo de outra maneira. Gosto muito de vários assuntos. De pessoas. De assuntos que envolvam pessoas. A paixão por livros e letras é tão grande que tenho de aprendê-las através das palavras.

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