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Podemos falar de amor?

Falar de amor alegra-nos o peito. Dobra-nos o sorriso. Ilumina-nos os olhos. Suspira-nos a respiração. Acelera-nos os batimentos cardíacos. Dá-nos um porto seguro. Faz-nos pensar invariavelmente em outra pessoa. Amor é sinónimo de partilha, felicidade e plenitude.

E nós? Quando é que entramos na equação? Costumamos entrar como amantes, aqueles que amamos. Quem? O outro. Sempre o outro, colocando-nos para outro plano.

Que é feito do pilar que é o amor próprio e de que poucos falam? Poucos falam, porque poucos o têm. Esqueceram-se de nos contar histórias, escrever poemas, cantar canções sobre ele. É como se não existisse.

Podemos falar de amor? Se não nos amarmos, não sabemos amar o outro, seja ele quem for. Sabemos, sim, ficar dependentes do outro quando temos a ousadia de colocar-lhe a nossa felicidade – e, em alguns casos, a nossa vida – nas mãos, à espera que sejamos tratados, amados, desejados e respeitados de igual modo. Disse ousadia, mas pode ser substituída por necessidade, sem se dar conta disso.

É uma responsabilidade do tamanho do mundo, receber tudo de outra pessoa, sem que a magoemos, deixemos cair e sem a desiludir. É um peso grande.

Então, se vos contar que há outro amor que merece todo o cuidado ou maior? O amor próprio! A autoestima! Tudo é muito mais do que aceitar o físico que temos.

Vocês sabem… O que nos faz vibrar no outro, deve fazer vibrar-nos a nós mesmos.

O amor próprio é aquela centelha mágica, aquele ingrediente secreto que colocamos em todas as receitas, a junção das cores do arco-íris e a tocha de calor e luz que nos ilumina o caminho até chegarmos às metas a que nos propomos. É a maneira mais acertada de educarmos os outros a amar-nos. Os outros sentem-no, quando nos transborda. É o sinal de alerta que lhes grita ao coração que não nos podem amar menos do que nós já nos amamos. É a fasquia elevada a um patamar que poucos conseguem segurar. É a porta escancarada para o optimismo. É a certeza de que somos suficientes para o que e quem quer que seja, por darmos o melhor de nós a cada dia e não somos obrigados a mais. Mais nada! A nada, em bom rigor.

Quando nos amamos e nos tornamos seguros de nós mesmos, é comum assustarmos o outro. Não temos tempo para merdas. Tornamo-nos pessoas decididas e equilibradas. Poucas coisas há mais assustadoras que alguém equilibrado que se ame e seja seguro de si mesmo. Até os risos são mais fortes.

Mais do que aquilo que mostramos aos outros, mora o que está dentro de nós. O entendimento que carregamos algo extremamente valioso: a nossa vida, os nossos sonhos, os nossos instantes, as nossas gargalhadas, os nossos choros e a nossa realização pessoal. Em cada um vive a possibilidade de nos entregarmos sem medo, sem rede de apoio, de paraquedas, porque nos assumimos como fortalezas e para nós.

Como se faz? Não é fácil. Vai doer, em alguns casos, vai doer muito. Mais do que conseguimos imaginar, quase mais do que aquilo que podemos suportar. É a transformação dessa dor em algo forte e bonito que fará começar a ver-nos de outra forma. Observando a dor, colocando-nos à prova, mostrando-nos, todos os dias, um após o outro, que somos mais fortes do que aquilo que imaginámos. Conversando connosco, escutando os nossos medos, para que os enfrentemos mesmo com medo, mostrando-lhes que não nos controlam e que somos nós quem os domina e silencia.

Faz-se entendendo que não somos metade de ninguém, nem de nós mesmos. Somos inteiros e não precisamos de alguém que nos complete porque nada nos falta para sermos felizes. Precisamos sim de partilhar a felicidade e esta loucura que é a nossa própria vida.

Faz-se abraçando o caos maravilhoso que somos, assumindo-nos, aceitando-nos e respeitando-nos como se a nossa vida dependesse disso. Porque, no fundo, depende mesmo.

Feliz dia do amor. Principalmente do próprio.

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Sofia Fonseca Costa

Nasceu numa quarta feira de Novembro, no ano 1984, mas não gosta de meio termos. Desde que se lembra que quer ser escritora e mãe. Dizem que no canto do seu sorriso mora um arco-íris. Vive para as palavras e afectos. Não gosta de chocolate. É formada em jornalismo e fez teatro durante mais de uma década. Mãe de quatro filhos a quem chama de Soneto. É autora do livro Murmúrio Infinito. Chamam-lhe Sofes Marie.

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