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O Beijo

Nós somos o que fazemos. O que não se faz não existe. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos apenas duramos.

– Padre António Vieira

Será demais recordar que a vida não pára? Não espera?

Giramos, quase em rotação automática, sobre as rotinas cimentadas nos alicerces do ´tem de ser´. E é verdade, tem de ser. Da forma que “tem de ser” tudo o resto fica do lado de fora da esfera de rotação.

No centro da espiral cinzenta do ´tem de ser´, a almofada da languidez da vida não cabe. Requer dedicação distraída, requer deleite, requer planar.

No Amor? Muito antes da palavra Amor ser sussurrada. Muito antes das confissões atabalhoadas entre sentimentos que não se explicam e a procura divina de resposta às sensações do corpo, como brisas quentes e frescas capazes de mudar a mente de galáxia.

Pisam-se pedras no caminho, trepam-se escarpas, esfolam-se os dedos e os joelhos.

Sonham-se dias, desenham-se horas a mais nos relógios dessas outras galáxias mentais que (garanto) existem mesmo.

E tudo isto para simplificar a complexidade da Paixão. Simples!

Aliás, simples?

Simples, quando se instala! Depois vem o medo e depois o Medo e, por fim, um MEDO com forma de descascador de cenouras, de lâmina afagada. Ao de leve, em folhas finas e, quando se quer deixar o medo ir à sua vida, já ele cortou, retalhou, esmifrou em pedacinhos a esperança dessa paixão teimosa e ingénua que não se espera bater à porta.

“O que não se faz não existe.”

“O que não se faz não existe.”

“O que não se faz não existe.”

A repetição desta frase faz estremecer, mas os Amores, as Paixões, os Desejos ternos em sentimentos, criam uma goma perfumada, ávida de força destemida.

Mande-se o medo embora!

Mande-se o medo embora!

Aceite-se o MEDO!

Se as emoções ternas são energias analgésicas, quando compreendidas e aceites, revelam uma dedicação ingénua, inocente de dar carinho e afecto e receber em mesmo género.

E é quando percebemos que o toque faz falta.

Tocar com os olhos, tocar o cheiro da pele, tocar um sorriso, uma madeixa de cabelo, tocar um olhar, tocar de mãos. Depois nasce um filho pródigo. Inocente! Inocente filho.

O beijo sonha-se e sente-se antes de acontecer. Depois de tocar, tactear, avolumar os sentidos pelos olhares simples, apanhados numa torrente de exclamações e interrogações, que prendem e deixam a mente à mercê de pensamentos e visualizações do toque dos lábios.

Só existe algo mais justo que dois lábios correspondidos, um segundo toque. E Sim! Aqui nasce o Beijo!

O beijo que toca todas as células, toca a alma e só toca, mesmo, o calor de dois lábios a transbordar de emoções, mesmo que atabalhoadas em incertezas dos porquês de existirem. Pouco importa!

Se há calor, carinho, afecto, emoção, dedicação, desejos naif correspondidos que parecem vir de outras vidas (lá longe no tempo…), essa inocência sem idade, acontece o Beijo.

E que aconteça tantas vezes quanto o afecto correspondido.

Envergonhado e leve, ou forte e determinado.

Um Beijo nunca se adia (ou não deveria adiar-se)!

Um Beijo vive-se!

Um beijo dá vida!

Recordando que num breve e sentido beijo cabe a vida toda. Faz mudar de galáxia e, lá está, faz acontecer!

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Ana Cláudia Domingos

Projecto de mim própria em constante construção. A questões constantes que me surgem, procuro constantemente respostas. Gosto que se saiba que sou natural da Guarda. Divago, e divago, e divago... e assim é minha matéria. Dizem que sou perfeccionista, mas acho que só tenho atenção extra a detalhes. Gosto da vida e Gosto de viver!

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