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A solidão assistida da era digital

Estamos sempre sós. Mesmo quando estamos acompanhados, a solidão já nos é inerente, porque, sendo humanos, temos momentos em que nos sentimos completamente sozinhos. Estamos sós, também, porque no fim de contas há certas coisas que dependem só de nós, como por exemplo a força para continuar mais um dia – mesmo que a ajuda de outros seja importante, se não partir de nós não conseguimos nada nesta vida.

Vivemos na era das redes sociais, uma era na qual estamos sempre acompanhados na nossa solidão. Acho que podemos mesmo chamar-lhe uma solidão assistida. Estamos sozinhos, com o nosso telemóvel na mão, e temos o mundo ao pé de nós, à distância de um clique. Conhecemos pessoas, falamos com outras que já conhecíamos, partilhamos fotografias e músicas, discutimos assuntos da actualidade com as mais diversas pessoas.

As amizades virtuais não são menos reais do que as outras. O que as diferencia tem que ver com a distância física a que as pessoas que encontram e não a distância emocional. Não é, portanto, nas amizades virtuais que reside a solidão característica da era digital. A solidão reside na tendência crescente de pararmos de olhar para o que está à nossa volta por estarmos demasiado ocupados a olhar para um ecrã.

Enquanto olhamos para o ecrã do nosso telemóvel, perdemos de vista tantas outras coisas que poderiam ser mais interessantes ou importantes. Podemos não ver aquele amigo que passou por nós, ou aquela pessoa que queríamos mesmo ver ou, quem sabe, o amor da nossa vida. Tudo isto porque estamos a olhar para um ecrã. E a solidão na era digital é exactamente esta: a de nos fecharmos na bolha tecnológica que nos envolve, esquecendo o mundo lá fora, as pessoas e o contacto humano no seu estado puro.

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Joana Veríssimo

Licenciada em Jornalismo e Comunicação e com uma paixão enorme pela escrita.

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