O livro Apneia da escritora Tânia Ganho foi publicado em Julho de 2020. Desde o início que esteve em destaque nas livrarias e nos lugares cimeiros de vendas. Lembro-me de ler algumas críticas e de perceber, de imediato, que era mais que um livro-sensação. Tive inúmeras vezes o livro na mão e li inúmeras vezes a contracapa. Havia algo em mim que se assustava com a temática do livro.
Tenho um filho pequeno e um casamento feliz. Assuntos como a violência doméstica e a alienação parental estão de tal forma fora da minha compreensão que seria difícil um livro destes ter lugar na minha biblioteca.
Depois de muita hesitação, comprei Apneia na Feira do Livro de Lisboa e li-o em Setembro passado. Li 690 páginas em 2 dias.
O enredo deste livro já é sobejamente conhecido. Adriana decide sair de casa com o seu filho Edoardo de 5 anos acabando assim com o seu casamento com Alessandro. Por sua vez, Alessandro, incapaz de aceitar o divórcio, inicia uma verdadeira guerra psicológica contra Adriana através daquilo que lhe é mais precioso, o filho de ambos. Perdida num labirinto judicial distante da realidade e sempre firme no seu amor pelo filho, Adriana luta contra tudo e contra todos para salvar Edoardo dos abusos do pai.
O livro tem um encadeamento nervoso e alucinante. A sua leitura é imparável e leva-nos muitas vezes à agonia e repulsa. Escrito de forma intensa por Tânia Ganho, que sendo tradutora de grandes autores internacionais, domina a arte da escrita na sua plenitude.
Um livro fora de série que nos deixa literalmente em apneia pelo seu realismo angustiante.
Apneia deveria ser de leitura obrigatória para todos, principalmente para aqueles que trabalham com e nos tribunais de família e menores.
Esperei 3 anos para agarrar neste livro, mas ele vai ficar agarrado a mim para sempre.