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A Viagem sem Fim

Um arquipélago de cerca de 316 km2, no centro do Mediterrâneo, entre a Sicília e a costa da Africa do Norte.

Estado conhecido historicamente pelas sucessivas invasões e gestões de diversos povos, como Romanos, Mouros, os Cavaleiros da Ordem de São João, a Ordem dos Templários e as suas lendas, Franceses, Ingleses.

É até hoje, guardada por várias fortalezas, embelezada por Templos Megalíticos (Ggantija em Ir-Rabat) considerados dos mais antigos do mundo, possui em muito bom estado de conservação, todo um complexo subterrâneo, com galerias mortuárias datadas de 4000 a. J.-C.

Considerada como um dos berços das civilizações. Cuja capital é La Valette, as suas línguas oficiais são o maltês e o inglês e tem cerca de 520.000 habitantes. Pequeno arquipélago constituído por uma ilhota Comino (Kemmuna) selvagem, mas famosa pelo seu lago azul e santuário de várias espécies de pássaros, assim como a sua torre quadrada, vestígios de outros tempos. Ir-Rabat, fabulosa ilha plena de segredos e mistérios, pelos seus templos milenares e lendas sobre sacrifícios pagãos e feitos da Ordem dos Templares, total imersão ao pisar esse solo e, finalmente, Malta, cuja descrição vos faço.

Tornou-se numa Républica em 1974, sendo um dos raros Estados Árabofónico democrático, do typo Ocidental. Pois foi aí mesmo, que o meu coração ficou apaixonado.

Ao chegar ao porto de La Valette, avistei logo uma torre e uma abóboda, que rivalizavam pela beleza, sem contar com as muralhas de cor amarela, que a rodeavam. Que linda vista da cidade nos oferecia esta chegada. Ao descer do navio, carroças atreladas de cavalos nobres, lustrados e decorados, nos foram propostos e sem querer parecer avarenta, decidi visitar o que pude a pé. Era mágico! A cor do mar turquesa contrastava com toda esta cidade amarelada, robusta, de pedra, mas não agreste, não fria.

A primeira visita foi realmente a Co-Catedral de São João, barroca, ricamente decorada, dentro dela reinava uma frescura e paz, que me convidou a sentar-me e assim fiquei a contemplar tanta arte e arquitetura junta, secular, maravilhosamente conservada e protegida.

Depois o Porte das Bombes, porta Principal da entrada da cidade, construída no século XVIII. Porém uma segunda porta foi construída mais tarde e no topo existe uma inscrição em latim, que diz: “Enquanto eu luto contra os turcos, estou seguro no meu assento”, referente ao Grande Cerco de Malta, provocado pela tentativa de invasão Otomana.

Ao sair, deparei-me com os raios de sol intensos, que aqueciam as paredes das casas e muros. Lojas surpreendentes de artesanato e trabalhos de metais semi-preciosos, assim como latão e ferro, com figuras alegóricas e ancestrais, típicas dos Malteses. Ferraduras, fechaduras e chaves enormes e pesadas, nos foram mostradas, à venda com devidas explicações, onde cabeças de leões são em destaque constante ou Dragões.

Ruelas subidas, ruas descidas, um mar de poesias bordadas em toalhas de linho e algodão, com alegorias históricas representadas, artesanato local, o vinho local sempre proposto em belos terraços ensolaradas, onde a música Cigana-Oriental inunda-nos os ouvidos e convidam-nos a prolongar a estadia nelas. Os gelados artesanais sem comparação, são servidos em taças de metal, surpreendendo as mãos ao tocarmos, a sua frescura conservada.

Nessa noite dormi bem, cansada, mas feliz. Ao longe, não muito, talvez no jardim da praceta abaixo, ouvia os jovens rir e cantar, alegremente alcoolizados, mas com espírito de festa, embalaram-me até ao adormecer. A noite foi amena e a maresia que atravessava os cortinados, era docemente salgada, refrescando a alvorada.

De pequeno-almoço tomado, abracei mais um dia de exploração maltesa. Apanhei um autocarro que rodava por duas pistas turísticas. Adorei as avenidas direitas, que cediam o lugar a ruelas estreitas e tortuosas, ao sairmos dos centros de algumas pequenas cidades, transportando-nos para as zonas menos habitadas, onde as cepas eram rasteiras e as uvas baixas, rente ao solo, carregadinhas de suco adoçado por dias de sol. Vimos mais uma fantástica Igreja Ovoíde, em Mgarr, construída com esta forma, em homenagem às galinhas. Na verdade, com as dificuldades, o povo da altura decidiu que todas as vendas de ovos serviriam a pagar a construção da Igreja. E por isso consta a história e forma dela.

Também pudemos visitar a Igreja dedicada a N­ossa Sr.ª da Assunção e a sua famosa Rotunda de Mosta. Decidimos ceder ao apelo dos aromas culinários que se espalhavam, pelos ares e ruelas e num desses recantos plenos de história e magia, num restaurante minúsculo, um senhor para cima dos 70 anos, digamos bem vestidos pelo corpo, sorridente, muito bronzeado, pelos ventos e sois malteses, de cabeleira branquinha, mas espantosamente voluminosa, serviu-nos em uma das mesas de madeira maciça, antigas como ele, um guisado de coelho (Ragôut de fenek), acompanhado de tarte de espinafre, saborosa dourada desfiada, couve flor, passas de uva e nozes (Latorta-tal.lampuki) e como sobremesa uma tarte de maçã e um sortido de bolinhos Malteses, à base de frutos cristalizados, amêndoas, pistachos e sabor a baunilha, canela, flor de laranjeira, limão (Figolli, Imqaret e Kwarezimal), enfim, um festival num pratinho só! Sei que me colhem os sentimentos pela culinária, mas também nunca me disseram ser um grande pecado, nem defeito.

O café forte e perfumado, sem açúcar foi a cereja sobre o bolo ou o ouro sobre azul. Apaixonei-me ainda mais por tudo isto, panoramas incríveis, terraços sobre o mar, cafés abarrotados de turistas joviais e curiosos por desvendar os mistérios malteses (e sabemos que não são lendas), músicas ciganas, como choros de violinos encantados, nas praias em baixo, véus branqueados pelo tempo ou assim instalados esvoaçavam quase livres, retidos por laços estranhamente frágeis, às barras metálicas e tudo isso tornava encantador e convidativo ao abandono de si, à “dolce vita”, ao laser único de estar com vida e ali.

Também visitei a Floriana, conhecida pela sua grande importância militar e estratégica. Esta cidade está repleta de monumentos e edifícios, que por si só contam a história sobre Malta e a Ordem dos Cavaleiros de Malta, ainda hoje figurando nas bandeiras da cidade.

Os dias decorreram lentamente, em praias de areia dourada e outras de pedrinhas amontoadas, onde as ondas fustigavam pernas dos mais aventureiros e eram muitos.

Malta um dia, Malta uma noite, tudo encanta e tudo ali se torna poesia.

Nota: Escrito segundo as regras do antigo acordo ortográfico 
Fonte de Imagens: Imagens pessoais e de Unsplash.com
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