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Adeus Vida: O Comportamento Suicida

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O gesto suicida é um dos atos, socialmente, mais controversos desde que o Homem iniciou a conceptualização sobre a sua existência. O fenómeno do comportamento suicida é extremamente complexo e difícil de ser abordado, até porque, no mundo ocidental, a morte, por si só, já é um tema difícil de ser trabalhado nos diversos espaços sociais, como na escola, na família, no contexto académico, e nos cursos profissionais da área de saúde em geral. Então, falar de um comportamento relacionado à morte, que vai na contramão da ciência, é mais difícil ainda, porque a ciência emprega grandes esforços para alongar os dias de vida e a pessoa que comete o suicídio vai de encontro a essa ideia, provocando um choque, um paradoxo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra, em várias publicações, que o suicídio tem aumentado nas últimas décadas. Nas últimas quatro, o suicídio cresceu significativamente em todos os países, envolvendo todas as faixas etárias e também vários contextos socioeconómicos. Pode-se dizer que o suicídio está entre as dez principais causas de morte. A OMS regista suicídios a partir dos cinco anos de idade e isso é altamente impactante, já que pensar que uma criança de cinco anos de idade, que está em processo de desenvolvimento cognitivo e emocional, possa buscar intencionalmente uma alternativa para o seu sofrimento, tirando a sua própria vida. Assim, é preciso dar atenção especial a este problema, pois é de extrema importância, devido ao seu impacto tanto a nível social, emocional e económico, bem como em termos de relação a familiares, amigos, ou conhecidos das pessoas que fazem uma tentativa, ou ameaçam matar-se.

O suicídio é um acto com resultado fatal deliberadamente iniciado e preparado com prévio conhecimento do seu fim fatal, através do qual a pessoa deseja morrer. Surge recorrentemente associado a momentos e vivências de uma enorme intensidade emocional, quer desagradável, quer repulsiva. Pode derivar de momentos de tristeza, depressão, ansiedade, ou acontecer após estados excessivos de êxtase e felicidade que se imaginam irrepetíveis no futuro. As razões que impelem indivíduos célebres e anónimos a cometer o gesto suicida repartem-se, entre a coragem, ou desistência, um apelo, um engano, um risco mal calculado, o exercício da liberdade de desaparecer, entre outros.

O comportamento suicida pode ser prevenido e, para isso, um bom planeamento e a criação de programas que envolvem diversos profissionais qualificados para tal fim são necessários. Não só é necessário trabalhar com os profissionais que estão nos centros de saúde, mas também com os voluntários e profissionais que desenvolvem algum tipo de trabalho nas comunidades, tais como igrejas, organizações não-governamentais (ONG), associações, ou IPSS. A prevenção do comportamento suicida é um grande desafio não só para os profissionais da saúde, mas para toda a sociedade.

É fundamental que se possam fazer trabalhos de capacitação com as equipas provenientes da área da Saúde, Educação, Direito, bem como os bombeiros e agentes da autoridade. Se esses profissionais estiverem preparados e souberem identificar os sinais relacionados ao comportamento suicida, já poderão intervir. É importante, também, frisar que, para se identificarem e intervirem no comportamento suicida, os profissionais devem trabalhar em rede.

A prevenção do comportamento suicida deve começar na família. A família tem de saber lidar com a morte. Geralmente, esse é um assunto que a família esconde, por acreditar que os filhos pequenos não terão recursos psíquicos para encarar a situação. Seguido da família, o trabalho nas escolas é importante e deve ser iniciado desde o pré-escolar. Deve-se trabalhar, com as crianças, questões sobre a valorização da vida e as escolas podem organizar programas psicoeducativos que possam mostrar que certos valores precisam de ser resgatados. A fraternidade, a harmonia e o respeito são elementos que, quando trabalhados da forma correta, preparam a criança para enfrentar as dificuldades.

O psicólogo pode ajudar, pois está treinado para desenvolver projetos psicoeducativos, coordenar e formar equipas dos vários espaços sociais, capazes de intervir no suicídio, bem como está apto a intervir a nível psicoterapêutico, pois consegue ler nas entre linhas, quando existe uma vulnerabilidade psíquica que precisa de ser compreendida.

Cuide Si, Cuide da Sua Saúde Mental.

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Bruno Braz
Sou psicólogo, terapeuta familiar (crianças, adolescentes e suas famílias) e formador, com uma sede pelo saber. Procuro compreender sobre as relações humanas, sob um olhar sistémico. Entender os problemas da mente, sempre a partir de hipóteses e nunca de uma forma causal ou linear. Gosto de muitas coisas, mas as que gosto mais, são capoeira e kitesurf, que permitem desligar-me deste mundo em constante transformação e dos problemas dos meus clientes.

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