O jogo da vida

O mundo moderno pode ser prejudicial por procurar facilitar. É lá que estão os amigos, atualmente. Podemos passar dias e dias sem sair de casa e não nos sentirmos isolados. Até é mais fácil comunicar com alguém pelo computador do que saindo à rua. Ser um comunicador brilhante sem falar, só escrevendo.

Os telemóveis são cada vez mais manipuladores. É comum e habitual a imagem de alguém atravessando a passadeira todo curvado a olhar para o ecrã do telemóvel ou caminhando pela rua. Se, por um lado, deveria ser libertador, por outro, torna-nos prisioneiros; é com cada um o uso que dá a cada espaço e tempo.

Não conheço o suficiente da psicologia para estar habilitado a responder a esta pergunta, mas o sistema dos likes e do número de visualizações pode ser viciante e fraudulento. O Homem é um ser narcísico e social e as redes sociais usam isso ao máximo e são maliciosas. A socialização para quem não sabe escrever ou não tem como escrever é muito mais difícil, ou é diferente, encontra outras formas de comunicação. A dependência e o vício vêm de procurar sentires-te bem por agradar ao outro: quando alguém diz bem daquilo, de algo que fazes, é bom, faz-te sentir bem. Não sei se uma criança está mais propensa para o vício ou terá um mundo onde nasceu mais habituado a ecrãs. Não é das pessoas, é das prisões, a forma como tentam apoderar-se delas.

O telemóvel tem como missão e objetivo passar a necessidade de precisares dele e as crianças são as mais propensas a usá-lo. Como um bombom, com sabor, que pede ao teu corpo que o uses, o telemóvel, ao representar outras pessoas e comunicação, tem sabor social e também pede ao teu corpo que o uses.

É o jogo da vida compactado.

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