O Propósito da Psicologia

Na atualidade, ainda continuamos a olhar para a Psicologia através da perspetiva médica, o que significa que olhamos para ela como uma forma de tratar a doença, tal como só vamos ao médico só quando estamos doentes ou com algum desequilíbrio físico. A verdade é que inicialmente a Psicologia surgiu como forma de explicar e tratar a perturbação mental, mas será que é esse o único propósito e objetivo da Psicologia atualmente?

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define, desde 1947, a saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. Partindo deste pressuposto, podemos dizer que a Psicologia não serve apenas para tratar a doença mental, serve também para a prevenir, promovendo comportamentos, reflexões e ações mais saudáveis para impedir o surgimento da doença.

Além disso, a Psicologia é uma ciência que estuda a cognição e o comportamento humano, ou seja, estuda a nossa capacidade de processar a informação obtida através dos sentidos (visão, tato, olfato, audição, etc.), estuda como pensamos, sentimos, interagimos e agimos. Por isso, é também útil para nos ajudar a melhorar os processos de processamento de informação, refletir e transformar pensamentos, sentimentos, relações e comportamentos.

Desta forma, podemos encarar esta ciência como um apoio na autodescoberta, no nosso desenvolvimento pessoal, sendo um espaço (físico, temporal e mental) onde dispomos de um guia, o Psicólogo, que nos orienta, que nos apoia, que nos aceita incondicionalmente, e que está lá para ser um facilitador deste processo de descoberta e crescimento. Por isso, a Psicologia é um serviço que está disponível para todos aqueles que querem e procuram uma oportunidade de se conhecerem melhor, melhorarem a sua vida e o seu bem-estar.

Para concluir, respondendo à pergunta que deu início a esta reflexão, o propósito inicial da Psicologia acabou por se diluir e dar origem a novos propósitos e objetivos. Assim, a Psicologia conduz-nos a um conhecimento mais profundo de nós próprios, a uma reflexão crítica e constante acerca dos nossos pensamentos, sentimentos, relações e comportamentos, promove o desenvolvimento de competências e habilidades e conduz-nos a um sentimento de reconhecimento e eficácia pessoal.

Sandra R. Santos
Psicóloga Clínica em Aveiro
(psicologa@sandrarsantos.pt)

Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.
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