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Generation text

Para além da caneta ou do lápis, utilizamos, hoje e cada vez mais, os dispositivos tecnológicos para escrever. Telemóveis, tablets, computadores. Poucos têm ainda uma agenda em papel, ou um bloco de notas. Os novos aparelhos têm estas funções e estão sempre perto de nós. Assim, escrevemos cada vez menos no papel. Este fenómeno observa-se ainda mais nos jovens. Utilizam estes aparelhos mais para comunicar. Substitui-se, em muitos casos, a comunicação verbal, não só presencial, mas também realizada através das chamadas, pela comunicação escrita. Usa-se, para isso, os SMS, ou as diversas aplicações de instant messengers.

A massificação do telemóvel alterou a relação que os jovens tinham com o texto escrito, afirma José Teixeira, professor da Universidade do Minho. Alguns sociólogos falam, assim, de uma “generation text”, uma geração “que de repente começa a escrever muito mais no telemóvel do que no tradicional papel”, continua o autor.

Sérgio Amaral, ainda no ano de 2003, ou seja, quando o fenómeno apenas tinha começado, afirmou que os jovens fazem parte de uma “tribo”, com uma linguagem própria, linguagem que “requer habilidades de escrita rápida”. Ana Lucia Gomes e Jane Correa falam também da velocidade da escrita para as interações que ocorrem em tempo real na internet. Para além disso, há, ainda, a possibilidade de falar com várias pessoas ao mesmo tempo. Desta forma, se a pessoa “escrevesse em concordância às regras gramaticais ou de pontuação levaria muito tempo para teclar a sua mensagem e isso culminaria no possível abandono da conversa pelos seus interlocutores”, dizem as autoras.

Quando as pessoas comunicam pelo telemóvel, pelos chats ou outros aplicativos com este fim, tentam aproximarem-se da comunicação oral, escrevendo assim, as palavras da forma como são pronunciadas, utilizam sinais gráficos que representam os gestos e as expressões da comunicação verbal e presencial. A abreviação é comum nesta linguagem, já que e como afirma  Eleonora Campos Teixeira esta escrita tenta acompanhar a velocidade do pensamento, tal como a linguagem verbal.

A escrita SMS, ou noutras plataformas para trocar mensagens, “não se destina a passar para o papel, possui um carácter muito mais transitório e informal, sendo entendida como a forma o mais próxima possível do discurso oral”, continua José Teixeira. E apesar dos comentários mais negativos dos “dos defensores do purismo clássico das línguas”, esta forma de comunicação mantém a língua viva: “a sobrevivência futura de uma língua depende mais do facto de ela se tornar necessária à contemporaneidade do que das glórias do passado”.

Também Tess Felder, no New York Times, afirma que, apesar de “nesta era da SMS e Twitter”, muitas vezes lamentar-se a perda da “arte de soletrar e escrever mais do que 140 caracteres”, isso não significa a perda da capacidade de transmitir as mensagens. Simplesmente faz-se se forma diferente.

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