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O que é preciso para sermos bem sucedidos?

Quando é que somos bem sucedidos?

Para muitos ser bem-sucedido continua a ser Sr. Doutor, Sr. Engenheiro ou sua Exma. qualquer coisa. Qualquer início de frase que comece com 2 ou mais títulos antes de um nome próprio pressupõe que a pessoa a quem ou de quem se fala é bem sucedido.

Utilizar títulos cria a expectativa de que se seja bem sucedido na sociedade e que se seja uma pessoa formada, educada, de boa índole e ainda que se vista com marcas com símbolos grandes, tenha uma casa vistosa, um carro a combinar (ou mais), filhos sempre impecáveis, um cão de pêlo lustroso e fotografias de férias passadas em sítios de nome pomposo.

Quando comecei a trabalhar, estava num ambiente em que a maior parte das frases começavam por Sr. Engenheiro ou Sr. Doutor (dos das finanças). Ao fim de um par de meses, o meu chefe organizacional disse-me que a partir daquele dia, se eu não me importasse , trataria-me por tu e que eu o deveria tratar por tu e pelo nome próprio.

Foi a minha primeira lição sobre sucesso: para termos sucesso temos que respeitar os outros, e o respeito não se conquista com títulos. (Jorge, será que já te posso chamar Jorginho?).

Há dias, no banco pediram-me para atualizar os meus dados pessoais, apontando para a profissão: “Dona de Casa” (informação que deixei registada há uns anos por carolice). A minha interlocutora explicou-me que precisavam da profissão exata para avaliar melhor o meu perfil como cliente, tendo-lhe eu respondido que para os serviços que tenho com aquele banco os dados fornecidos eram os suficientes. Eu fiquei possessa com o fato de ser “Dona de Casa” não ser suficiente bom para o banco e a minha interlocutora pouco satisfeita com a minha resposta. Contudo, para além desta situação, muitas outras análogas ocorrem. Até nos serviços mais pontuais e aleatórios, como no cabeleireiro me pedem para identificar o título, profissão ou função, e mediante se digo que sou dona de casa, doutora ou senhora doutora, a forma como me tratam intercala entre uma frieza impessoal e a bajulice de amigos de longa data. Mas se nas relações do quotidiano o título tem tanto impacto, nas relações profissionais, o sucesso do abuso do uso dos título, surge maioritariamente com a ascensão piramidal e a soma de mais títulos.

Esta evolução só ocorre com conhecimentos e ligações pessoais, com movimentações nos circuitos certos, com padrinhos, com lamber botas, com palmadinhas nas costas, com depreciação ou apropriação do trabalho dos colegas e manipulações.

Há casos de mérito técnico, poucos, e há casos de mérito estratégico onde vale tudo e se aplica o Princípio de Peters: As pessoas são promovidas ao seu mais alto nível de incompetência. Às vezes são promovidos para que possam ser peões de outros títulos e outras vezes, simplesmente, porque provocam menos danos em posições mais elevadas.

Enquanto nos guiarmos por uma sociedade onde interessa o poder, quantificaremos o sucesso pelo dinheiro que ganhamos e pelo bens materiais que ostentamos.

Mas o sucesso do ser humano é mais do que o sucesso profissional e a obtenção de títulos. O sucesso obtem-se com a evolução pessoal.

Maslow, um psicólogo da década de 50, hierarquizou as necessidades do ser humano classificando-as em patamares de “sucesso” e realização pessoal e profissional. Esta teoria é representada por uma pirâmide onde na base se encontram as necessidades mais básicas , as fisiológicas (comer, dormir,…), sendo a seguinte a obtenção de segurança, o posicionamento social, a relação familiar e a autorrealização. Segundo Maslow, um indivíduo só sente o desejo de satisfazer a necessidade de um próximo estágio se a do nível anterior estiver sanada, portanto, a motivação para realizar estes desejos vem de forma gradual e patamar a patamar.

Se fizermos o exercício de descobrirmos em que patamar desta pirâmide está a nossa existência, e onde estávamos há algum tempo atrás e o que nos falta atingir, percebemos a nossa evolução, e como interiormente estamos a transformar o “sucesso” em conseguir viver com qualidade, proporcionada menos pela posse de bens, e mais pela qualidade com que usufruímos dos dias, com o prazer que obtemos das coisas, com a disponibilidade mental que temos para nós próprios, a disponibilidade física que temos para a família e amigos e o estado da nossa saúde. E neste sucesso os títulos são dispensáveis.

Maslow também defende, que ao longo da nossa vida vamos escalando esta pirâmide várias vezes. Sempre que atingimos o cume desta caminhada procuramos novos projetos e desafios e recomeçamos pela base da pirâmide pela concretização das necessidades mais básicas associadas.

Independentemente de até onde caminhemos, ou do número de caminhadas que já tenhamos feito, se mais importante do que termos sucesso interior seja obtermos o reconhecimento exterior pelo nosso sucesso, então, estaremos à mercê do número de likes, da quantidade de títulos que antecedem o nosso nome e, como a mulher de César, não do sucesso que temos, mas do sucesso que parecemos ter.

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