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Sociedade

Gosto muito da minha terra

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Gosto muito da minha terra, Portugal, e sendo patriota como tantos, sou algarvia de coração, e de alma, foi lá que nasci e lá tenho todas as minhas referências de vida.

E um destes dias em que estive numa das muitas e bonitas praias do Algarve, fiquei triste com o que vi, não com a praia propriamente dita que continua extraordinária, mas com toda a envolvência que se gerou em sua volta.

Bem sei que a economia estimula e desenvolve os locais e as regiões, e até os países. Também sei que sem dinheiro pouco ou nada se faz, mas quem conheceu, como eu conheci toda a área da praia do cavalo preto, do Ancão e do Garrão e agora a vê, percebe que pouco mais resta do que empreendimentos de luxo, resorts e vivendas colossais que quase rasam a obscenidade em termos de áreas, não havia necessidade, mas esta é apenas a minha opinião.

No entanto, a questão aqui não está na dimensão, nem no valor dos resorts e das casas entretanto construídas, o meu ponto é que provavelmente não teria sido necessário construir tanto, poderia haver mais área natural e comum preservada.

Destruiu-se um pulmão gigante que toda aquela área possuía, pouco a pouco, em determinadas alturas, muito rapidamente noutras, fomos acompanhando a destruição dos pinheiros que envolviam a área de todas estas praias, e o betão foi vencendo, e os estrangeiros também.

Não questiono sequer os interesses, ou quem mais ganhou com todas estas construções, porque não tenho que o fazer, nem quero.

O que aqui noto é a forma excêntrica e quase escandalosa como a construção foi sendo promovida e em volta foi deixando de haver área de acesso público, à exceção da estrada necessária para que quem lá tem casa e/ou frequenta os resorts, ou áreas de lazer.

Não ficou espaço para o comum algarvio, ou mesmo turista português não milionário poder estacionar tranquilamente e frequentar aquela que pode ter sido a sua praia de sempre. Isso é pouco importante.

Deixámos de ter espaço no nosso território, apenas porque a área envolvente, devagarinho, ou nem por isso, foi sendo quase toda privatizada por conta das moradias hollywoodescas que foram e continuam a ser construídas (no já escasso espaço disponível), a ostentação no seu mais alto nível.

E da última vez que consegui um lugar de estacionamento, após muito custo, para poder frequentar uma praia que fica na minha região, no meu país, cujas economias também eu, gosto de estimular e fazer crescer, depois de um fantástico tempo de sol e praia, com uma temperatura extraordinária como só Portugal tem, a minha tristeza bateu no chão.

Quando nos dirigíamos para o carro, já de regresso, passaram por mim pai e filha, cuja nacionalidade desconheço, apenas sei que falavam em inglês, preferia não ter entendido/ouvido o que a criança disse para o seu pai, mas ouvi e percebi: “I dont like portugueses.” E fiquei triste, quase me apeteceu pedir-lhe que regressasse para a sua terra e seja lá muito feliz.

Mas não o fiz, naturalmente, e por razões obvias.

Não sei o que o pai respondeu, ou sequer se lhe respondeu. Mas fiquei triste por perceber que por vezes, nós portugueses recebemos tão bem quem nos desdenha, e não respeita enquanto povo.

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Ana Paula Marques
Assumo sem qualquer tipo de pudor o grande gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias. Verter palavras transformando-as em textos, são momentos de criatividade que me fazem mais feliz, e que espero, possa transformar de algum modo a vida de quem lê o que escrevo com tanto amor!

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