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Paralelo virtual

Perco-me, volta e meia, noutros mundos. Devaneio em literaturas, filmes, séries e regresso em acrescento, mais completa, nem que seja somente em diversão, quando o devaneio é entre entreténs mais leves.

Permito-me e registo memória de obrigatoriedades de mim para mim própria, em lista semanal, para que não me perca nas obrigações e me recorde que há certas coisas que são necessários para o equilíbrio, mesmo que depois não as cumpra. Outros prazos nos chegam e sem aviso, há que corresponder aos deveres, especialmente em fases de vida mais exigentes.

Este é um grande exercício, o de percebermos que o tempo tem de esticar não só para os outros como também para nós, porque de outra forma a corda rebenta. De registarmos, nem que seja em mente, que todos os dias temos de fazer algo por nós e que em muitos deles, deixarmos-nos levar é pura sabedoria.

Contudo, também observo que há formas de se fugir ao que se pretende de nós, dia a dia. Que mais não são senão artifícios de fuga ao nosso verdadeiro eu.

Vejo o quanto é possível perdermos tempo em redes sociais, muitas vezes questionando-nos, que raio andámos a fazer ali por tanto tempo. Que jogos são bons escapes por certas horas, mas não pela noite dentro e poderão indicar que algo está em fuga cá por dentro.

Que óculos de realidade virtual não são só equipamento de bem-estar e diversão, mas sintoma de refúgio e de paralelo virtual.

Na minha lista semanal não sobeja tempo para jogos e demais virtualidades. Não porque não goste, mas porque gosto mesmo muito mais de fazer outras coisas e o que sobra não dá para tudo. Contudo, divago muito nas redes sociais e quando o tempo passa em demasia nestas andanças, fico sempre com essa estranha sensação de tempo perdido, de cérebro dormente e que não faço ideia do que andava por ali a fazer. Que me perdi numa realidade que é paralela, que existe sem, de verdade, existir. Que eu existo nela, sem ser de facto eu, porque o que lá está é uma extensão qualquer.

Tenho saudades e, talvez este seja um pensamento geracional, de quando tudo era muito mais simples, de quando nos olhávamos todos olhos nos olhos, de não ser necessário limitar horas aos nossos filhos em relação às horas passadas em paralelos virtuais.

No entanto, limitamos-nos se não acompanharmos o tempo em que vivemos e todas as suas particularidades. Que as deixemos brilhar em nós e utilizemos de forma sábia, em especial engrandecimento. Como escape prudente e não em fuga. Sempre em inteireza.

Carla Moreira

Fiz teatro e fui jogral de poesia há algumas luas. Ainda piso as tábuas, volta e meia, porque faz parte de mim, nem me vejo de outra maneira. Gosto muito de vários assuntos. De pessoas. De assuntos que envolvam pessoas. A paixão por livros e letras é tão grande que tenho de aprendê-las através das palavras.

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