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É fácil desejar um corpo!

É fácil olhar para um corpo que nos parece (im)perfeito e despertar nele o desejo que parecia andar adormecido.

É como gritar para que as hormonas comecem a bailar implorando por um pouco de emoção naquele corpo que vive numa eterna escuridão.

Os olhos percorrem cada centímetro de pele que descobrem a descoberto e deslumbram quem se sente observada pelo desejo de tocar no corpo que está a desejar. A boca pede um beijo e as mãos procuram as curvas onde esse desejo quer viajar sem que tenha medo de se perde nessa viagem de prazer.

O tempo e a vida ficam para depois, pois naquele momento só temos olhos para a paixão que nasceu como se fosse uma oferenda do destino.

É fácil dançar esse bailado, que nem sequer precisa de ensaios. É demasiado fácil fazer com dois corpos se confundam na imensidão do que estão a sentir. É fácil entregar o nosso corpo a quem nos acaba de seduzir com um só olhar.

Mas, todo esse jogo é perigoso, isso não é amor.

A verdade é que toda essa tempestade de emoções vai passar, quando aqueles corpos despertarem para a realidade que os calou durantes breves minutos em que foi a paixão a gritar  por eles. Nesse instante vão perceber que é fora desse sonho em que voaram, como se fossem duas aves, que terão de decidir que rumo querem escolher.

É aí que o que foi fácil se torna demasiado difícil. É aí que surgem as dúvidas e se encontram os defeitos. É nessa hora que o que nos pareceu perfeito pode não ser suficiente para que o amor possa nascer.

Aquele corpo, quase (im)perfeito, para o qual olhamos tem marcas que não nos conquistam quando deixamos de o observar com os olhos da tentação que ardia no nosso corpo e então entenderemos que é preciso sentir o outro de olhos fechados para podermos amar.

É preciso desejar sem olhar, entender sem questionar e amar para além da carne. É preciso amar a alma de quem o olhar escolheu sem procurar qualquer outra explicação. É nessa hora que o desejo arrefece e as falhas que o outro tem, e não escondeu, não se podem apagar e aí encontramos a desculpa perfeita para terminar o amor que nunca chegou a nascer.

Foi fácil fazer amor com aquele corpo que nos seduziu, mas não seremos capazes de amar o que está para lá do corpo. Não seremos capazes de entender a alma que governa aquele corpo que agora nada nos diz.

O amor é viver no avesso do que vemos e sentir tudo o que a paixão encobre.

Amar é sentir para lá do olhar de quem nos está a seduzir.

Amar é fácil, porque o difícil é manter os olhos fechados perante a miragem de um corpo (im)perfeito que nos acorda o desejo que andava adormecido.

Angela Caboz

Olá sou a Ângela, nasci no Algarve (Tavira) em 1966 e desde cedo que me apaixonei pelo mundo das palavras. Sou técnica administrativa e aprendiz de escritora nas horas livres. Escrevo o que a Alma me dita e vivo o que coração me pede ... é assim que as palavras se soltam para colorir as páginas da vida!

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