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Carta de Uma Desconhecida

Foi durante uma despedida de solteiro, no meio de um desgosto de amor, que comecei a ler Carta de Uma Desconhecida. O livro ideal!

Desisti, apesar de ser uma obra que percorremos numa hora ou duas. Mas fica tanto mais tempo em nós…

Terminei o mesmo exemplar que havia começado há tantos anos (Sete? Oito?), emprestado pela minha irmã, e que escrita… Stefan Zweig é já um caso sério na hierarquia das minhas preferências e Carta de Uma Desconhecida é sublime, a beleza da exposição de um amor quase platónico, sofrido, idealizado. Há algum tempo que esta forma de viver o amor deixou de me cativar, seja na Literatura ou na vida real. Não tive qualquer ejaculação espiritual com Anna Karenina e o que mais recordo do tempo em o li que é o peso do calhamaço que carreguei para Marraquexe e ao longo da Jordânia…

Carta de Uma Desconhecida é a antítese, leve nas suas cinquenta e sete páginas (letra grande), a carta confessional da amada está demasiadamente bem escrita para que me tivesse perdido no “Passei a vida apaixonada por ti e tu nem olhaste para mim”.

Lá estava o meu mundo. Sonhara com esta hora durante dois anos, agora era-me oferecida. Fiquei frente à tua janela durante a extensa, suave e sombria noite, até a luz se apagar. Só depois parti em busca da minha casa.

Fiquei assim frente à tua casa, todas as noites.

Gosto da escrita de Zweig. As viagens que formam cada um dos seus contos (dele li sobretudo contos, tal como este livro, que é um conto grande) são autênticos tratados de psicologia redigidos sob a forma de prosa poética. E no entanto, fluem tão facilmente que não cansam como por vezes acontece com os contos. Zweig, se outro mérito não tivesse, é um exímio contista e um divulgador nato desta forma de Literatura tão mal-amada.

Pela parte que me toca, e apesar do tema não me arrebatar, o modo como ele foi explanado embrenha-se no âmago da história, dá-lhe a volta, torna-o vivo! Continuo com grande curiosidade pela descoberta da obra de Stefan Zweig mas por agora, a par d’O Medo, O Alfarrabista Mendel e Novela de Xadrez, Carta de Uma Desconhecida é o seu melhor conto.

É também a oportunidade de ler obras como esta que faz da vida um privilégio.

António V. Dias

Tendo feito a formação em Matemática - primeiro - e em Finanças - depois - mais por receio de enveredar por uma carreira incerta do que por atender a uma vontade ou vocação, foi no Cinema, na Literatura e na Escrita que fui construindo a casa onde me sinto bem. A família, os amigos, o desporto, o ar livre, o mar, a serra... fazem também parte deste lar. Ter diversos motivos de interesse explica em parte por que dificilmente me especializarei alguma vez em algo... mas teremos todos que ser especialistas?

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