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The Good Doctor – Review

Hey! Hey! Sim, tu. Vou-te colocar uma questão. Já imaginaste dares entrada na urgência de um hospital e deparares-te com um jovem médico autista? Pois bem, hoje vou-te dar a conhecer uma série de televisão onde isso é possível.

Anda daí…

The Good Doctor é uma série do género drama. O autor da série baseou-se na série sul-coreana com o mesmo nome, do autor Park Jae-bum. Daniel Dae Kim enviou o episódio piloto para várias emissoras, mas somente a ABC aceitou comprar os direitos.

Antes de continuarmos, queria só deixar-te um pequeno aviso:

*PODE CONTER SPOILERS*

Se vais continuar a ler, é por tua conta e risco. Não digas que não avisei.

Desde o mês de setembro do ano de 2017 que o Dr. Shaun Murphy (Freddie Highmore), um jovem médico-cirurgião autista com síndrome de Savant (ou síndrome do sábio/génio, que é considerado um distúrbio psíquico, onde a pessoa possui uma inteligência de génio, mas que está aliada a um déficit de inteligência e que faz com que a memória da pessoa seja extraordinária), nos presenteia com as suas aventuras pelo Hospital San José St. Bonaventure. Claro está, que logo no primeiro episódio nos apercebemos que quase todos os restantes médicos e equipas do hospital não farão a vida fácil ao Dr. Shaun. No entanto, com a sua persistência, o seu profissionalismo e com a ajuda do seu mentor e amigo, Dr. Aaron Glassman, médico-cirurgião e presidente do hospital, Shaun tem tudo para ser um grande sucesso.

Ao fim dos primeiros episódios, pode-se dizer que a série The Good Doctor é uma mistura de Dr. House e Anatomia de Grey. Aliás, nada confirma isto melhor do que, logo no início da segunda temporada, sermos presenteados com a atriz Lisa Edelstein, que deu vida à Dr. Lisa Cuddy, em Dr. House.

Nesta série, vemos serem retratadas situações do dia-a-dia de Shaun. Podemos ver como para ele uma simples torneira a pingar de maneira irregular é desconcertante ou como o não encontrar as suas ferramentas o deixa em estados elevados de ansiedade. Porém, também o podemos ver brilhar em casos médicos difíceis de diagnosticar e onde Shaun, através da sua memória fotográfica e da sua excecional inteligência, consegue chegar ao ponto chave da doença/problema.

No que toca a personagens temos de tudo um pouco:

Lea Delallo (Paige Spara), uma miúda simpática que começa por ser apenas a vizinha do lado de Shaun e que o vê só como um amigo, pelo menos no início.

Dr. Melendez (Nicholas Gonzalez) é o chefe dos residentes. Prepotente e arrogante que dói, é aquele ser que tenta de tudo para fazer a vida negra a Shaun, mas que, a pouco e pouco, vai mostrando um lado mais gentil e amável.

Dr. Marcus Andrew (Hill Harper) é um médico em ascensão e bem-sucedido, que passa uma boa parte da temporada à espera de uma oportunidade para tirar da presidência do amigo/mentor de Shaun, o querido Dr. Aaron Glassman, uma vez que a sua maior ambição é ocupar esse cargo. É mais um dos que não acredita na capacidade de Shaun como médico autista, mas que vai aprender que nem sempre o que mais desejamos é o mais acertado para nós.

Alegra Aoki (Tamlyn Tomita) é uma personagem recorrente e que só aparece quando há algo importante para se resolver na administração do hospital. A meu ver é o que se chama uma personagem “tapa buracos”, que surge só para fazer a ação avançar numa determinada direção.

A doce Dra. Claire Browne (Antonia Thomas) é aquela médica inteligente e que luta pelo seu posto com idealismo, mas que entra em confronto com a arrogância da Dra. Morgan Reznick (Fiona Gublham), uma residente ambiciosa e solitária, mas que, ao longo da série, demonstra ter um papel importante.

E por fim, no role das personagens, que a meu ver, se destacam mais e são de maior importância para o desenrolar da trama, temos o apelidado de bonitão, que emana sensualidade (só que não, digo eu), o Dr. Jared Kalu (Chuku Modu), médico competente, porém, é tratado com algum desdém por chefes e colegas, porque a sua família é rica. O que o deixa um pouco desconfortável, mas também acaba por ter algumas atitudes que não ajudam muito a que se tenha uma opinião diferente. Atitudes essas que irão acabar por levá-lo a sair da série.

Penso que a ideia de terem criado uma série deste género é muito boa. Tentar mostrar ao mundo que pessoas “especiais” também têm lugar na sociedade e são perfeitamente capazes de desempenhar as funções que lhes serão designadas é algo muito importante. Aliás, há um artigo no site Autism Speaks escrito por um adulto com autismo, que elogia a prestação do ator e a situação da contratação do médico num hospital onde existem médicos completamente contra contratar alguém com autismo.

O que realmente se destacou para mim foi a discussão durante uma cena em que eles estão a decidir o destino de Dr. Murphy e como as pessoas com autismo carecem de empatia. Como eles podem ser solidários com os pacientes e suas famílias? Foi revigorante ver o Dr. Murphy ter a oportunidade de mostrar a sua capacidade de cuidar dos outros quando questionado diretamente “por que você quer ser um cirurgião?” baseado em um evento traumático na história de Shaun. Tive que colocar a série em pausa porque estava a chorar como um bebé.*

Na minha opinião, a série é muito boa, tem um desenrolar bastante apelativo e não é nada cansativa. Podemos mesmo aprender muito com este tipo de séries. Claro que não estou a falar de como remover um sinal ou como diagnosticar alguém, nada disso. Deixemos os médicos fazerem isso. Contudo, ao nível de gerir as emoções e de como podemos ver o mundo, isso já é algo que a série nos pode ajudar bastante.

A série já vai na quarta temporada e, como não podia fugir à regra (sim, parece que no mundo atual das séries este assunto é uma regra obrigatória a ser seguida), será abordado o tema da pandemia que se vive pelo mundo inteiro, mas somente nos primeiros episódios. Depois verás o pós-pandemia que a série espera que seja alcançado brevemente.

Confesso que estou ansiosa que esse dia chegue.

Em Portugal podemos ver todas as terças-feiras pelas 22h00 um novo episódio da série The Good Doctor no canal de televisão por cabo AXN Portugal.

Nota: Este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico.

(*) Tradução: O que realmente se destacou para mim foi a discussão durante uma cena em que eles estão a decidir o destino de Dr. Murphy e como as pessoas com autismo carecem de empatia. Como eles podem ser solidários com os pacientes e suas famílias? Foi revigorante ver o Dr. Murphy ter a oportunidade de mostrar a sua capacidade de cuidar dos outros quando questionado diretamente “por que você quer ser um cirurgião?” baseado em um evento traumático na história de Shaun. Tive que colocar a série em pausa porque estava a chorar como um bebé).

Ana Gonçalves

Nascida e criada em Castelo Branco, Portugal. Empregada Forense de Agente de Execução de profissão. Em 2010 nasce o meu maior tesouro, a minha razão de viver e o meu melhor amigo, o meu filho. O meu maior sonho é realizar todos os seu sonhos. Tenho um gosto enorme por viagens. Diversão e boa disposição não faltam. Nunca há mau humor por estes lados. Somente me iniciei na escrita aos 32 anos, apesar de ter o gosto pela leitura desde sempre. Os livros que me deixaram rendida à literatura foram "A Lua de Joana" de Maria Teresa Maia Gonzales, seguindo-se "Os Filhos da Droga" de Christiane F.

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