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Bem-Estar

A morte para quem vive

Hoje falo da morte. Falo da morte no mês que lhe deu vida, neste mês que deu vida a uma das minhas pessoas mais importantes. Parece um contrassenso. Mas não é! Porque tudo o que a vida dá, a morte tira.

Dizem que o mal é de quem vai. Concordo em absoluto. Quem cá fica recompõe-se, aprende a lidar com a ausência, com a saudade… mas nunca mais se é igual. É impossível voltar a ser igual quando levam uma parte de nós. Para sempre. E é este “para sempre” que, lenta e vagarosamente, vai moendo quem cá fica, vai moendo a alma. Dia após dia. Ano após ano. Se algum dia se volta ao que se já foi? Nunca mais! Ontem li que perder alguém “é como uma amputação”. Nunca tinha pensado deste modo mas não há melhor forma de descrever sobre “quem cá fica”.

Existem pessoas cuja sua pele “habita” debaixo da nossa pele. São parte integrante de nós. E a sua perda é insuperável principalmente para quem, como eu, não aceita a morte. A ideia de finitude exaspera-me.

Todos nós, ao longo do tempo, vamos perdendo pessoas mas só algumas perdas nos desmembram. E essas perdas é que são realmente duras. Como conviver com a ausência, com a ausência da voz, do afeto, da presença, da existência? A dor instala-se devagarinho e acerca-nos o coração de tal forma que nunca mais se recupera. Incrível como o coração abarca tantos sentimentos tão dispares e tão fortes como o amor, a felicidade, a dor, a saudade, a tristeza… e parece que nada o abala porque, devagarinho, muito devagarinho, consegue reerguer-se.

Existem pessoas que choramos todos os dias sem que quaisquer lagrimas resultem disso porque, pura e simplesmente, não conseguimos superar a tremenda saudade e, por mais que nos rodeemos de amor, nada colmata aquela falta imensa. Nunca mais voltaremos a ter aquela pele que é tão parte da nossa.

Desde sempre percebemos que a morte é a única certeza em vida, mas não me peçam para aceitar isto de ânimo leve. Não é cabível, em mim, que as minhas pessoas maravilhosas, únicas e insubstituíveis, que são ser do meu ser, de quem eu carrego a sua pele debaixo da minha possam, um dia, partir.

O luto é um fardo pesado. Às vezes, carregamo-lo uma vida inteira pela mesma perda… e depois vem mais uma e mais outra e outra… e o luto acumula-se e a tristeza, aquela que não se vê, que ninguém percebe que está instalada, parece nunca ter fim…

Cada pessoa que perdemos e que faz parte da essência do nosso ser leva um pouco de nós. Para sempre. Deixa um pouco de si. Para sempre.

Se a vida é realmente tao efémera, então que NUNCA mas NUNCA deixemos o AMOR por dizer.

Ana Ferreira

Nasci nos anos 80 na minha maravilhosa cidade que é Lisboa. Cresci com o valor do trabalho muito presente na minha vida e é de lá que tiro grande parte da minha realização pessoal. Acredito que a vida só faz sentido se nos regermos por uma busca incessante pela felicidade. Acredito no amor como a base fundamental da vida. Sou obstinada e determinada e raramente desisto dos meus objetivos.

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