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A leveza de viveres como entenderes

Vais ter sempre alguém que te aponta o dedo mesmo que dês o teu melhor. Há quem goste de mostrar as garras e rasgar até que as entranhas fiquem tão ensanguentadas que a dor não consegue penetrar. Vais ter sempre críticos de bancada que tudo sabem menos das suas vidas miseráveis que os obrigam a viver as dos outros. Vais ter sempre quem te esqueça apesar de ter precisado muito do teu apoio e da tua voz para se sentir vivo. Vais ter sempre quem te insulte e se esqueça de que és tão humano como qualquer outro. Vais ter sempre juízes de fora que se consideram de dentro.

Terás dias em que não sentes forças para te levantar e amaldiçoas a tua vida, querendo nunca ter existido. Serão nuvens que circulam em teu redor para te tentar, para te mostrar que tens um outro lado e que com ele vais lidar. És bem mais forte do que possas pensar, mais sapiente do que possas julgar e mais inteligente do que possas imaginar.

Outros dias chegam cheios de chuva miudinha, daquela que arrefece com suavidade o calor que já devia ter ido. O sol vai ser tão doce e tão equilibrado que não vais querer que desapareça. Nesses dias, a lucidez senta-se ao teu lado e tudo parece fazer o sentido que se procurava em todos os recantos e se escoava pelas frestas obscuras.

Tu és apenas alguém que se constrói, que se busca e se encaixa num corpo que nem sempre é o que fica melhor. O sal, o precioso modo de evitar a corrupção, fita-te como se fosse um pequeno diabo a desafiar para uma brincadeira. O açúcar, numa qualquer esquina, alicia-te com momentos de prazer inesquecíveis como se fossem magia.

Escolhas o que escolheres, vais ser sempre um alvo fácil onde as setas da maldade e da pronta análise superficial se espetam com uma aguda ponta de veneno. Nunca serás o que os outros querem ou pensam querer e tudo o que fizeres ficará exposto em praça pública para te causar uma imensa e desmesurada dor.

No entanto, podes ficar tranquilo que, felizmente, vais ter sempre alguém que te entende e que te dá a mão, mesmo que não a consigas sentir de tão magoado que estás. Esses pequenos seres estão sempre à tua volta para amenizar o desconforto e te fazer sorrir com vontade. E essas criaturinhas invisíveis é que são as mais importantes, pois sabem o teu valor e para elas estás sempre no seu coração.

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

One Comment

  1. Margarida, tão sublime, tão poético, palavras cristalinas que aquecem a alma de quem faz o seu caminho, sempre amparando o outro.
    Mesmo que ninguém veja, que ninguém saiba, esse é o verdadeiro sentido de viver.

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