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Van Gogh, o ruivo solitário

Vincent Van Gogh é sinónimo de uma vida danada recheada de muitas situações dramáticas. Alguém que nunca soube quem era e o que era. Este homem nasce a 30 de Março de 1853 e morre em 29 de Julho de 1890, vivendo somente 37 anos mas deixando uma luz carregada de mistério, que nunca se irá extinguir.

Considerado um impulsionador para as correntes vindouras, tais como o expressionismo, o futurismo e o dadaísmo, teve um papel de relevo com a sua arte. Impressionista que se servia de pinceladas fortes e aparentemente descuidadas, com cores intensas e formas esbatidas, tornou-se um ícone mundial.

A tela de Monet, Impressão, que representa um banal nascer do sol, de contornos esfumados e cintilações de luz, acabou por dar o seu nome para a corrente que nascia. Era um atrevimento artístico, deixar os olhos do público verem tal ousadia.

Procuravam fixar a visão momentânea e a sua luminosidade bem como as variações que alteravam as formas e cores. Estas não eram misturadas na paleta, mas aplicavam-se puras, diretamente sobre a tela, em pinceladas sobrepostas.

Alma atormentada, vibrante, incendiada por um fogo secreto, procura a verdade. Vincent, o holandês, é um vagabundo alucinado que pinta em estado de transe, demente, com olhar de fera acossada. Luta corpo a corpo com a sua obra bem como com a loucura que se apodera dele.

Como nasceu próximo da fronteira belga, a paisagem era muito melancólica, repleta de charnecas e turfeiras, pequenos bosques e céu baixo. Era filho de um pastor protestante e o seu nascimento está envolto numa circunstância muito peculiar; aconteceu um ano depois do nascimento do seu irmão que morreu com apenas 6 semanas. É-lhe atribuído o mesmo nome, o que pode ser uma justificação para o seu estranho comportamento.

É uma criança com crises de violência e comportamento selvagem, mas, nas fases calmas, é dotado de uma doçura extrema, caridoso e amigo de verdade. Liga-se ao seu irmão Theo, tornando-se seu confidente, o outro eu, como lhe chamava. É nesta época que se começa a interessar pelas aguarelas, gosto herdado da sua mãe.

No estado adulto a sua pintura reflete a realidade da vida, a simplicidade, os trabalhadores infelizes, explorados, abandonados e transviados, os humildes, os camponeses, os mineiros. Mostra o seu desespero, as angústias, as desilusões, o insucesso e o desespero. Na sua obra pode-se encontrar um misticismo, uma exaltação, uma paixão e equilíbrio que convida ao recolhimento.

A sua natureza taciturna e a rudeza da vida, leva-o a isolar-se dos companheiros. Os ambientes que o circundam são melodramáticos: luz mortiça, mesmo no Verão e Inverno cheio de neve. É uma criança diferente, com uma enorme necessidade de afeição, de comunicação, que não é retribuída, sentindo-se infeliz por não ser amado.

A imagem que se retém dele é de um jovem, mas com rosto de velho. Talvez devido ao chapéu de palha que raramente largava. É uma pessoa solitária com bastante ternura reprimida, com um sentimento de culpabilidade pois pensava ser o usurpador do corpo e da alma do seu irmão defunto. Era uma alma perdida num mundo estranho, um alienado mental.

Insatisfeito com a vida acaba por morrer na sequência dos ferimentos infligidos por um tiro que não foi fatal. Curiosamente o seu amado irmão morre pouco tempo depois, o que torna esta família cada vez mais misteriosa.

Tornou-se um study case mental. O uso frequente e exagerado do absinto seria o responsável pelo comportamento degradado e irresponsável que apresentava. A sua bipolaridade também era justificada com essa bebida, assim como as alucinações de que padecia.

A 23 de Dezembro de 1888 teve uma desavença com Gauguin e após uma ameaça com uma faca, devido a um surto psicótico, corta a sua orelha. Enrolou o pedaço e ofereceu-o a uma prostituta que desmaiou com o presente recebido.

Pensa-se que sofria de xantopsia, uma doença em que o paciente vê os objectos em tom de amarelo, uma vez que eram os seus tons dominantes. Era, de facto, uma pessoa peculiar e definia-se assim:

“Pode ter-se um grande fogo na alma, mas ninguém vem nunca se aquecer nele, os que passam só avistam um fumozinho no alto, a sair pela chaminé e seguem o seu caminho.”

A sua arte pode ser apreciada em livros e museus. Os livros podem ser companheiros interessantes e cultos do percurso da sua vida e das obras. Explicam, dentro do possível, o que os olhos conseguem alcançar e ainda mais além. Cada um sente à sua maneira. Nada iguala o quadro, a presença, o físico, o trabalho concluído que, viajando no tempo, chegou aos nossos dias para nos mostrar a sua extraordinária beleza.

Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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