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A dualidade ambição vs ética

A verdade é que, hoje em dia, lutamos, primeiro, interiormente, por conseguirmos viver em sociedade e, a partir disso, conseguir estar em comunhão com quem nos rodeia e, daí, extrair, ou o necessário, ou aquilo que sabemos que queremos para nós. Depois, o fundamental para nós é conseguir ambicionar um futuro digno de ser lembrado, diferente do habitual, do comum, capaz de nos preencher a alma, o ego, profissional e humano.

Contudo, numa sociedade que hoje é desprovida, na sua generalidade, de grande fundamento moral, é essencial apercebermo-nos, ou pelo menos termos uma noção convicta, do caos, sobretudo interior, que domina o indivíduo como um todo. São poucos os que ambicionam algo mais, e esses, geralmente, julgam-se superiores, passam por cima dos outros, não lhes interessando promover o bem-estar do Universo, mas apenas extrair dele aquilo que lhes convier.

Ou seja, tendo noção desta problemática, qual deve ser a sensação principal dos que se consideram “renegados” e “à parte” da sociedade, precisamente porque colocam as pessoas à frente da materialidade? É uma pergunta interessante e, acima de tudo, inquietante em valor, uma vez que, enquanto uns conseguem o que querem passando por cima de um todo ético, outros vivem na sombra dos imorais, aguardando a sua verdadeira oportunidade. Contudo, será inteligente, ou justo — assumindo que importa aspirar a uma espécie de “justiça retributiva” — nos subjugar-nos a isto? Importa realmente termos o cuidado de nos importar com os outros, criando barreiras a nós, ou mais vale estarmos desligados para aspirar ao mais alto nível de nós próprios?

O que é inegável é que, como mindset, importa, sobretudo, estar bem connosco mesmos, e talvez não ambicionar algo em específico, mas lutar, incessantemente, para sermos melhor pessoas?

Saramago que, para mim, é o mestre da nossa Literatura contemporânea, uma vez disse: “Provavelmente tenho tudo porque nunca quis nada”, e completou: “aquilo que vier a ser meu às mãos me há de vir ter”.

Portanto, fundamentalmente, mais que ter que optar por ser boa pessoa, ou mudar o foco para as ambições profissionais, temos que perceber que a vida são dois dias, e que, ou aceitamos aquilo que somos e tentamos moldar-nos a cada dia, ou vamos acabar por alcançar uma infelicidade plena, sem nada que não vazios.

Sonha com cabeça, coração, humildade e… autenticidade.

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Tiago Ferreira

Um jovem sonhador, com uma atitude sagaz e espírito crítico, que gosta de estar a par da actualidade e de, sobretudo, questionar as entrelinhas. Centrando-me no essencial, gosto de acrescentar uma visão muito pessoal às coisas e de, acima de tudo, partilhar a minha verdade. Apaixonado por cinema, devoro literatura — sobretudo fragmentos e poesia —, e a escrita é a paixão primordial desde sempre. O grande desígnio passa por fazer a diferença no mundo através da sensibilidade e humanidade que fazem de mim um poeta da simplicidade.

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