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Ciências e TecnologiaSaúde

Vacinas, Anti-vacinas e Saúde Pública

A vacinação é o factor-chave em saúde pública e no que respeita à protecção da comunidade face a doenças infecciosas.

Num grupo de pessoas não vacinadas, se houver pessoas doentes, a probabilidade de adoecerem todos é muito grande. Mas se a maioria das pessoas estiver vacinada — imunidade de grupo — o vírus ou bactéria tem mais dificuldade na propagação e a probabilidade de contaminar as pessoas que não estão (ou não podem) ser vacinadas é mínima.

Na última década, o movimento anti-vacinas tem vindo a ganhar terreno a nível mundial. Alguns dos argumentos principais são:

  • os riscos das vacinas para a saúde, alegando que estas podem causar lesões cerebrais e/ou autismo e que contêm substâncias químicas tóxicas para o organismo humano;
  • falta de confiança na indústria farmacêutica, alegando que as vacinas são usadas para piorar o estado de saúde das pessoas e assim aumentar o ganho financeiro da indústria;
  • a imunidade natural é “melhor” do que a adquirida através das vacinas.

A possibilidade das vacinas causarem autismo é um dos argumentos mais famosos do movimento anti-vacinas, referindo-se à vacina tríplice – contra o sarampo, parotidite epidémica e rubéola (VASPR). Actualmente esta vacina faz parte do plano de vacinação nacional e devem ser administradas duas doses: 1 e 5 anos.

A ligação entre o autismo e a VASPR foi feita em 1998 pelo médico Andrew Wakefield num estudo publicado na revista médica “The Lancet“. Em 2004, foi publicado o trabalho de investigação do jornalista Brian Deer, que descobriu que se tratava de um estudo fraudulento com intenções económicas. O artigo acabou por ser retirado da revista e o autor perdeu a sua licença profissional, não existindo, até à data, qualquer evidência da relação entre a vacinação e o autismo.

No geral, as vacinas são compostas por formas atenuadas ou não-vivas do agente patogénico e por excipientes responsáveis pela sua estabilização química e conservação. Um dos conservantes utilizados mais comuns é o timerosal (ou timersal), considerado como seguro pela Organização Mundial de Saúde. É constituído à base de mercúrio, mas contém etil-mercúrio (e não metil-mercúrio) que é um composto que não se acumula ao nível do organismo e é rapidamente eliminado nas fezes.

Muitas das doenças actualmente possíveis de prevenir através da vacinação podem levar a complicações graves e acabam por desencadear a mesma resposta imunitária que uma vacina. Esta, como apresenta ao organismo uma versão atenuada do agente causador da doença, leva a uma resposta menos intensa, logo menor será a probabilidade de complicações. Existe, como em todos os fármacos, possibilidade de reacções adversas de vacinas, mas estas, no geral e de acordo com a Direcção Geral de Saúde, não vão além do inchaço, comichão e vermelhidão na zona da picada ou de uma febre e mal-estar passageiros.

Actualmente, o mundo moderno atravessa uma pandemia sem precedentes, com consequências graves a múltiplos níveis. O desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19 é algo necessário e quanto mais rapidamente isso acontecer melhor. No entanto, as mensagens anti-vacinação que circulam através da internet podem facilmente minar os esforços para se conseguir a imunidade de grupo face ao coronavírus. A total transparência no decorrer de todo este processo deve ser imposta e mantida, para que as pessoas estejam bem informadas e possam tomar as decisões acertadas para si e para a manutenção da saúde pública.

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