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Textos motivacionais

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Esta semana deparei-me com o anúncio de um curso para escrever textos motivacionais. Até aqui tudo bem, já que existem cursos para tudo e mais um par de botas. O que me deixou a pensar é qual a necessidade que alguém tem de aprender a motivar os outros. Será terapêutico? Será que isto não passam de grandes balelas de quem não tem nada para fazer? Acho que, atualmente, as pessoas já perceberam que um texto ou livro de autoajuda não serve para ajudar ninguém senão a quem o escreve?

É giro perceber como funciona a mente do autor, mas todas as sugestões e conselhos não passam de relatos de uma vida que não é a nossa e que se nós precisássemos de conselhos a sério deveríamos procurar pessoas que de facto gostam de nós e realmente se importam? Mas o normal não é fugirmos a sete pés dos conselhos sábios dos nossos pais ou outros familiares próximos, já que eles não sabem nada e nós queremos ser livres para sermos como somos?

Motivação não se ganha a ler textos. Os textos servem para nos pôr a pensar e nem sempre chegamos a conclusões positivas.

A motivação vem de dentro e cresce ou diminuí de acordo com o percurso de cada um, da sua estrutura psicológica, da sua vontade, dos apoios que pode ou não usufruir, do trabalho que está disposto a realizar ou que, de facto, consegue por em prática, até da própria genética.

A motivação não cresce de meras palavras, se tudo o resto nos desmotiva.

Os textos de motivação são, normalmente, um tipo de banha da cobra que nos promete uma receita mágica para alcançarmos os nossos desejos e a grande verdade não é segredo absolutamente nenhum: uns conseguem lá chegar e muitos ficam pelo caminho. Uns trabalham a vida inteira e não vêem o seu esforço compensado e outros conseguem lá chegar com tanto ou menos esforço. O trabalho, a repetição, a persistência, a teimosia e até a motivação são aspetos importantes, mas nenhum deles é, por si só, a solução.

Existem tantas condicionantes para o nosso sucesso, quer seja a nível psicológico ou físico, laboral ou meramente de puro e desejado lazer, que é de todo impossível haver uma receita que sirva a todos.

Cada um de nós deve procurar o seu caminho e se isso passa por fazer cursos para escrever textos motivacionais, então que seja.

Não deixo de pensar que seria mais produtivo cursos para “aprender a escrever corretamente” e “para aprender a interpretar” ou mesmo “para aprender a ter um raciocínio crítico”. O resto aprende-se com um curso multidisciplinar chamado “vida”.

E, se este texto não vos motivou, lamento!

Deixo-vos, agora, porque vou ali inscrever-me num curso que ensina a dar banho ao cão!

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Ana Marta
Ana Marta, nascida em Sintra a 22 de Abril de 1971 e mãe de 3 filhos, desde cedo revelou o seu interesse pela escrita e pela Literatura, começando por escrever pequenos poemas durante a adolescência, época em que estudava Literatura Portuguesa. Ávida leitora desde que aprendeu a ler, sempre consumiu livros dos mais variados géneros literários e escrevia, em diários, textos sobre o que o seu coração sentia. Algumas décadas mais tarde, viria a publicar num blogue intitulado "Inexplicavelmente", textos da sua autoria e que, mais tarde, atraíram milhares de seguidores na sua página de Facebook, atualmente "ANA MARTA". Em 2020, lança o seu primeiro livro "Inexplicavelmente".

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