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Amor pelo conhecimento

A palavra filosofia é de origem grega e tem como significado: amor pelo conhecimento. No entanto, este amor pelo conhecimento, só nos é apresentado nas escolas ao nível do ensino secundário e, redundantemente, como uma disciplina secundária. Sendo o conhecimento uma das bases de uma sociedade evoluída e esclarecida, não deveria o papel da filosofia ser privilegiado e acarinhado desde os níveis de ensino mais baixos, a par da matemática ou da língua-mãe?

Sendo Portugal um país com hábitos de pensamento crítico estruturado diminuto, um país envelhecido e conservador em termos intelectuais e um país em que a opinião política, por exemplo, é a repetição do que se ouviu na televisão no domingo à noite, acaba por ser fundamental pensar o próprio pensamento.

O ensinar a pensar e o pensar o conhecimento deveria ganhar raiz em terra maleável. Uma mente nova e sem filtros, onde tudo é aprendido e apreendido é o sítio ideal para absorver o que quer que se ensine. E haverá algo mais entusiasmante que aprender a conhecer e a partir daí estruturar todo o próprio conhecimento? O tempo que se pouparia em explicações e interpretações incorrectas se intelectualmente tivéssemos elasticidade suficiente, trabalhada desde cedo, para compreender de forma clara as questões da vida. Por questões da vida, não falo em sentido da morte ou na existência de Deus apesar da filosofia nos levar a estas interrogações mais profundas, falo sim em coisas mais simples como interpretar um problema matemático ou perceber um ponto de vista que não seja o próprio.

Lembro-me de ter aulas de filosofia no ensino secundário com uma professora, que no alto da minha presunção adolescente, não percebia nada do assunto, não pensava, não debatia, não se interrogava. Tive a sorte de ter outra professora que vestia a filosofia. O seu entusiamo era tal que chegava a dar saltos de entusiasmo quando o debate de ideias era produtivo (saltava mesmo, não é brincadeira) e quando nos sentia como seres pensantes. Pergunto-me se o objectivo da escola não deve ser esse mesmo, ajudar a desenvolver seres pensantes, fomentar o pensamento claro como base para todo o conhecimento e para a compreensão do mesmo.

Não terá, neste sentido, a filosofia um papel de base tão fundamental como a matemática ou o português? Não será mesmo, a compreensão da própria matemática e da língua portuguesa, um paralelo da filosofia? Quantas vezes nos lamentamos por não pensarmos melhor sobre determinado assunto ou quantas vezes temos de fazer um esforço para compreendermos algo que está fora da nossa zona de conforto intelectual?

Perante estas dificuldades, não deveria caber às escolas o papel de fomentar desde cedo uma dinâmica de conhecimento do próprio do conhecimento para formar futuros adultos de consciência crítica e capazes de análises e interpretações claras do mundo que as rodeia? Será o estudo do conhecimento e das suas mais variadas facetas um parente pobre numa sociedade educacional antiquada? Ou será o estudo do conhecimento a própria inversão deste mesmo conservadorismo?

Num mundo global onde existem enxurradas de informação à distância de um toque no ecrã, é cada vez mais fundamental saber filtrar, compreender e acima de tudo pensar. Afinal de contas, pensar nunca fez mal a ninguém.

Rita Ramos

Escrevermos sobre nós próprios, no sentido de nos darmos a conhecer a quem nos lê, acaba sempre por ser ingrato. Somos um nome? Uma idade? Uma formação académica? Eu quero acreditar que somos tudo o que vivemos, que somos tudo o que nos rodeia e que absorvemos, que somos quem amamos, que somos os livros que lemos e as viagens que fazemos. Somos um conjunto de tudo e de nada. Quanto a mim, sou a Rita, tenho 37 anos, sou licenciada em Relações Internacionais, sou casada, sou filha e mãe, e as palavras têm sido a minha maior companhia ao longo da vida.

2 Comentários

  1. Nem mais concordo contigo
    Até nas universidades que são um centro de “saber “ o ensino existe na base de replicar o conhecimento e pouco ou nada dão importância ao debate e a discussão
    A mesma fomenta o pensamento crítico e o replicar exerce uma força matriz contrária ao pensamento crítico
    Tomar um juízo do presente como um juízo compassado acerca da discussão é sabermos que tanto tem de factual como de construtor

  2. Poderia ser exceção e até animar a rotina das aulas convencionais mas infelizmente continua a ser só mais uma disciplina em que se estuda um guião que conta o que outros pensaram outrora. O debate moderado sobre temas da sociedade atual não só desenvolve conhecimentos como também aptidões, uma mais valia para jovens no secundário, numa fase decisiva das suas vidas.

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