Que energia é esta que nos move?

Há quem diga que somos a manifestação da nossa energia, que atraímos o que nos acontece e que a nossa realidade resulta dos nossos pensamentos e das energias deles emanadas. Há quem afirme que os pensamentos provocam reacções químicas que afectam a nossa saúde e fazem com que criemos a nossa própria realidade. Há quem fale em carma. Há quem chame religião. Há quem diga acaso. Há quem considere que o universo conspira a nosso favor e que quando é para acontecer até quem atrapalha ajuda, e o contrário também. Então, como é que ficamos? Somos nós os culpados disto tudo? Existe um universo conspirador? Ou a nossa realidade resulta de um diálogo constante entre nós e essa força invisível, numa linguagem em código?

Neste indecifrável desvario há demasiada perfeição para que a vida seja apenas um acaso. E porque não acreditar na existência de uma energia gerada por uma combinação de forças, nossas e do universo, que fazem rodar as turbinas da nossa existência?! É que se nos coubesse apenas caminhar ao sabor do vento, nesse caso a vida resumir-se-ia tão-somente a uma navegação à bolina, e isso faria de nós marinheiros errantes sem terra à vista. É demasiado pouco para quem é tanto…

Sem qualquer pretensão de defender uma teoria da conspiração, facto é que, muitas vezes, temos tudo a postos para que as coisas aconteçam tal como planeado e eis que, inexplicavelmente, numa [i]lógica que ultrapassa as razões da razão, tudo muda de rumo, dando origem a novas possibilidades, perspectivas e expectativas. Mais tarde, quando menos esperamos, dá-se a reviravolta e tudo acontece, tal como planeáramos, e o puzzle fica mais composto, mas com novas peças e com novos sonhos no horizonte. Outras vezes, o universo presenteia-nos através de pessoas, de gestos ou de situações que nos levam a crer, ou não, em descoincidências. Também acontece, estranhamente, nunca acontecer o que, supostamente, tinha todas as condições para tal. Diz-se que não estava feito para acontecer.

Talvez seja de acreditar na tal combinação de forças que conduzem a nossa existência, muitas vezes, não como planeamos, mas sim de acordo com o conjunto das circunstâncias que o universo nos vai colocando no percurso, permitindo-nos a liberdade de escolha. São, talvez, nessas escolhas que devemos colocar o nosso foco e as nossas energias, através de [boas] intenções para que tudo conspire a nosso favor e para que outras escolhas nos possam ser oferecidas. Melhor dizendo, nem tudo depende apenas de nós, mas também de algo mais, dessa força estranha que Caetano Veloso tão bem [en]canta, numa conjugação de forças que se atraem ou repelem, consoante as energias projectadas. Então, se assim é, existirá a chamada lei da atracção?

Podemos não ter mão em tudo, mas é de crer que as nossas intenções, por vezes, ficam retidas algures e a energia delas produzida se manifesta noutras circunstâncias… É caso para se dizer que o universo é sábio, conspira a nosso favor quando menos esperamos, embora muitas vezes tudo diga o contrário. Por isso, a energia colocada em tudo o que fazemos pode ter um retorno e ser determinante na eficácia das nossas acções. E se vivermos num estado de positividade, sem cairmos no exagero do positivismo ilusório, a vida pode fluir com maior ânimo, mesmo no meio das [tantas] dificuldades. Como cultivar, alimentar e atrair energias positivas? Eis uma questão de difícil resposta. Mas, empiricamente falando, talvez a solução esteja na autenticidade, na consciência, na aceitação, na liberdade, na simplicidade, na bondade, na gratidão, na abertura e na criatividade. No amor, acima de tudo no amor, essa inabalável força. Há também que saber escutar a melodia e os sinais do universo numa sensibilidade subtil para que essa simbiose de energias resulte em oportunidades e em concretização. Talvez mais do que olhar, é preciso ver. Mais de que ouvir, é preciso escutar. Mais do que esperar, é preciso procurar. Mais do que existir, é preciso Ser.

E que não se confunda o mundo cor-de-rosa com o mundo feito de cores infinitas onde o negro é, muitas vezes, a cor dominante. Porém, entre tanta diversidade, há que saber estabelecer o equilíbrio para que encontremos perfeição entre tanta imperfeição, com a ajuda do universo, é certo, e com a prática da lei da atracção.

Existem mesmo coincidências?

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