Queridos amigos

Possuir bens é um dos objectivos da maior parte das pessoas. É legítimo e natural. Ter um carro, uma casa, telemóveis, roupa de marca, férias em destinos exóticos, tudo é ambicionado. Não se coloca a questão de ser certo ou ser errado. É um interesse, uma vontade, mas é preciso saber fazer contas para ter tudo isto. Uns podem e outros nem por isso. Acontece. É injusto, mas quem é que disse que a vida era certinha? A vaidade ainda comanda e a cópia do vizinho ou do conhecido é uma guia.

Uns podem, têm meios para o conseguir sem esforço de maior. Aproveitam. Outros, nem por isso e endividam-se, pedem aqui, pedem ali para conseguir aquilo que não é possível. E ficam uma eternidade a pagar. E para quê? Para mostrar e não para usufruir. É assim mesmo. Exibição pura e crua. E mostram as fotos e divulgam e querem, fazem questão que os outros vejam. É a continuidade. Poder, ter, ser. Mas não são. Querem parecer.

O bem mais precioso é ter amigos. Sim, leram bem. Amigos. Não é avaliado por nenhum joalheiro, não se fazem seguros e valem tanto, mas tanto! Quando digo amigos falo de pessoas sinceras, verdadeiras e que nutrem sentimentos pelos outros. É um bem único! Não precisamos de muitos, precisamos é de bons, daqueles que nunca falham quando é preciso. Ter um amigo é maravilhoso! É alguém que está sempre lá, quando necessário, que nos entende, que nos ama, mas que nos repreende, que nos chama à razão, que nos faz colocar os pés na Terra. É uma peça fundamental da engrenagem da nossa vida.

Há que saber distinguir entre conhecidos e amigos. Um conhecido é alguém com quem trocamos dois dedos de conversa e é uma relação despretensiosa. Um amigo é um elástico no nosso coração, um penso rápido quando o sangramento começa, uma ligadura quando a articulação da vida de solta, uma muleta quando parece que as coisas não andam. E há sempre espaço e lugar para os novos amigos. É preciso saber fazê-los, criar laços e fortificá-los, torná-los sólidos.

Um amigo verdadeiro é aquele que é à prova de bala, que sobrevive aos infortúnios, que não se demarca nem mesmo quando a distância é enorme. Está sempre presente e sente essa relação. E o nosso comportamento varia consoante os amigos com que estamos. Existem aqueles que nos fazem regressar à infância com toda a facilidade, outros obrigam-nos a sermos sérios e responsáveis, outros ainda deixam-nos soltos para sentir o que entendermos.

Ser rico significa ter amigos. E é uma riqueza entesourada porque são amigos de há muitos anos e, apesar de não estarem sempre juntos, sabemos que estão presentes para o que for preciso. E os ouvidos, os ombros e o coração têm toda a disponibilidade para o que possa fazer falta. Um amigo é tão valioso que não existe ainda unidade monetária para o classificar. Devemos conservá-los, estimá-los e cuidar deles, como eles fazem connosco.

Amigo é uma palavra gigante e única. E então se tivermos amigos que nos acompanham desde sempre, podemos ter a certeza que temos uma fortuna. Não interessa nada de financeiro nem de monetário, o importante é a sinceridade e a amizade, porque o amor do amigo é tão verdadeiro e tão forte que supera todas as barreiras. Ter um amigo é algo de fenomenal!

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