Aprender a pensar

Ultimamente tenho evitado comentar publicações no Facebook, quer sejam de amigos quer sejam notícias. Todos nós temos noção que a forma e os conteúdos dos comentários nas redes sociais, deixam muito a desejar. No entanto, não faço parte do grupo de pessoas que consideram que tudo o que é publicado ou divulgado nas redes sociais é lixo! É preciso saber fazer a triagem das coisas que o algoritmo empurra para a frente dos nossos olhos.

O que ainda me espanta neste espaço é precisamente a falta de debate que existe! É certo que temos o direito de expressar a nossa opinião, dentro dos limites do respeito pelo outro, é claro! O facto de outra pessoa não concordar com o nosso ponto de vista, não lhe dá o direito de nos enxovalhar mas infelizmente é muito isso que acontece. Discordar argumentando e debatendo ideias é saudável e desejável mas é também uma prática que pouco se exercita em Portugal. O problema começa logo na base – em casa e na escola.

Em casa os pais “mais antigos” (e alguns das novas gerações também) assumiam-se como a verdade vigente, pelo menos no espaço do lar o que não permitia qualquer contestação ou questionamento. Na escola, muitas vezes os professores só querem que os alunos decorem a matéria em vez de pensarem sobre ela! Não existem temas que possam ficar de fora de reflexão, todos são passiveis de serem discutidos. Como é que vamos compreender alguma coisa se não questionarmos alguns porquês?

Dei por mim a pensar nisto tudo, porque comentei outro dia um artigo/notícia no Facebook sobre a posição assumida pela Pipoca (comentadora do BB – confesso que vejo aos Domingos) e expressei a minha concordância. É incrível como os comentários que se seguiram foram de ataque a mim, à Pipoca e todas as pessoas que concordam com aquele ponto de vista. As pessoas andam amarguradas com vida, o covid, a incerteza e sei lá mais o quê mas isso não lhes dá o direito de distratarem quem quer que seja. Sente-se a raiva em cada letrinha escrita!

Recordo uma formação que tive no inicio da minha vida profissional em que formador nos disse, que os espaços de comentários nos jornais americanos e outras plataformas são utilizados para a melhoria na vida em sociedade e nas comunidades. Eles valorizam o que se escreve e a partilha, por saberem isso as pessoas fazem questão de deixar a sua opinião e existe debate ideias nestas plataformas. Nem tudo será assim, cor de rosa de certeza, outras pessoas terão a mesma postura das pessoas nas redes sociais que é ofender, mal dizer e destilar raiva por se saberem protegidos pela distância que um ecrã de telemóvel ou pc proporcionam.

A utilização das redes sociais e das áreas de comentários que são colocadas ao nosso dispor, põem a descoberto a falta de comportamento cívico que existe. Em vez de se usarem para debater questões que importam e que podem fazer a diferença, discute-se o tamanho da saia ou do decote e aproveita-se para ofender A ou B seja porque motivo for.

É urgente ensinarmos as pessoas a pensar de forma construtiva, logo de tenra idade! Ter a capacidade de pensar e reflectir sobre as situações do passado, presente e futuro. Só assim conseguimos progredir em sociedade. A partilhar e debater aprendemos mais sobre nós próprios e sobre os outros, dá-nos capacidade critica para não aceitarmos os factos como verdades absolutas.

Photo by Felicia Buitenwerf on Unsplash
Share this article
Shareable URL
Prev Post

Aïda Muluneh

Next Post

À procura de uma vida, meio propósito, copo de sonho e um amor cheio!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Read next

São parvos

Não há nada que não tenha sido já dito sobre esta pandemia. E é normal, considerando que vivemos todos numa bola…

Sem julgamentos

Desde sempre que ouvi a expressão “quando apontamos um dedo, três ficam virados para nós”. De facto, as verdades…

Pretérito (Im)Perfeito

Há qualquer coisa de quentinho, de confortável, nos sítios que já conhecemos. Sabemos onde pisar, sabemos a que…