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O Último Dia

Hoje é o teu último dia.

É assim que começa esta reflexão. Não o último dia no trabalho ou o último dia que escrevo por aqui, é uma extrapolação de que hoje seria o meu último dia de vida. O fim, puff!

É provável que este não seja o meu último dia neste mundo (como diria o RAP – “até porque, hoje não me dá jeito!”) mesmo nesta conjetura de suposições, o que sobressai de imediato é a necessidade ou melhor a urgência em passar a maior parte do tempo “que resta” com as pessoas que amo! Este é sem dúvida um dos nossos (Humanidade) grandes defeitos, só darmos o devido valor ao que temos quando estamos prestes a perdê-lo!

Parece que temos prazer em aprender as lições que a vida nos tem para ensinar nos piores cenários ou na eminência da desgraça. Podemos sempre alegar que o hábito, a rotina e o conforto da realidade que conhecemos, como nossa, nos dá esta capacidade de considerar que o que existe hoje, irá existir para nós sempre como conhecemos ou nos mesmos moldes. E bem sabemos, não é de todo verdade!

No último ano, a pandemia veio pôr à prova isso mesmo! Nada é garantido nem o que temos por seguro. Só que temos tão enraizada esta ideia do que é nosso, é fixo e imutável, que nem sempre o apreciamos ou valorizamos verdadeiramente. Nem as situações irão ser sempre as mesmas, lineares ou boas nem as pessoas que amamos irão estar sempre do nosso lado ou ao nosso lado.

Valorizamos muito mais hoje: os nossos, a proximidade, os abraços, a companhia e damos inquestionavelmente muito mais valor ao que tínhamos na nossa vida, antes da pandemia, do que a realidade que estamos a viver agora. Foi preciso acontecer uma desgraça destas para nos apercebemos disso! Foi um “despertar” coletivo. Que a experiência desta vivência nos ensine algo de novo e nos faça mudar.

Não vamos querer chegar ao fim da nossa vida e revisitá-la, no leito da morte, como fazem nos filmes, para concluirmos que o que não fizemos e não dissemos nos dói no peito. Se hoje fosse esse dia, e pode ser… (não sabemos) não devemos deixar por dizer as coisas que são importantes nem de demonstrá-lo. Um amo-te, gosto de ti, tenho saudades, fazes-me falta cheio de sentido irá fazer alguém feliz e irá deixar-nos o coração preenchido. Passo a passo, dia após dia podemos começar por implementar estes pequenos grandes gestos, estas pequenas grandes mudanças contrariando assim a aprendizagem pelo sofrimento, que insistimos em manter vigente.

Escolhi a concha para ilustrar este texto porque simboliza a morte no sentido de renovação. A renovação de gerações que devido à morte das gerações anteriores, se renovam, cumprindo assim o ciclo de vida. O que parte e o que fica, como nós neste exato momento, que podemos mudar e fazer a diferença para as gerações que se seguem.

As conchas são também amuletos muitas vezes utilizados como talismãs que simbolizam a aventura humana da vida, rumo à morte, ou seja, a viagem da alma. O que viemos fazer a este mundo, senão trilhar um caminho espiritual para cumprirmos, com a materialização da nossa vida nesta viagem do espírito pela Terra?

Photo by Nadieska Meza Siles on Unsplash

Sofia Cortez

Sofia Cortez marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

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