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Cinema

Nada a Esconder

Ora, aqui está um filme que ninguém dá nada por ele no trailer e, quando o vemos, sim, senhor, merece o meu reconhecimento. Atenção que isto é apenas a minha opinião pessoal sobre um filme. Atenção! Eu sou spoiler! Depois não digam que não avisei e venham-me cá crucificar na Internet.

Quando me foi sugerido ver este filme, confesso que estava sem vontade nenhuma. Sei lá, era aquele tipo de filme que via num domingo à tarde na TVI, porque não tinha mais nada de jeito a dar, e não ia escolhê-lo de propósito para o ver, mas digo-vos já que tem uma história e uma mensagem bem potente por detrás do filme.

A história centra-se num jantar de amigos, um jantar banal de sábado à noite, em casa de um deles. O jantar corre às mil maravilhas, contam as novidades, riem e saboreiam o belo do jantar, que tinha muito bom aspeto. Tudo corre bem até que uma das amigas, que por acaso era a dona da casa, sugere fazer um jogo: colocarem todos os telemóveis em cima da mesa e sempre que recebem uma chamada ou mensagem, o conteúdo dos mesmo deverá ser dito em voz alta. Depois percebe-se o porquê de ela ter pedido isto. Até aqui pensamos que não há crise, até porque o jogo inicia sem grandes alaridos e confusões, mas como diz a lei de Murphy: “Se algo pode dar errado, vai mesmo dar errado”. E aqui tinha tudo para dar errado. As pessoas que estão à volta da mesa conhecem-se há anos, mas vamos começando a perceber que afinal existem duas vidas aqui presentes: a que mostramos a toda a gente e a que escondemos nos nossos smartphones.

Este filme vem descortinar o que realmente acontece na nossa sociedade nos dias de hoje. O ambiente começa a aquecer, quando começam a receber chamadas e mensagens que eram apenas um segredo obscuro que deveria ficar guardado com código no telemóvel. Há quem chegue inclusive a receber fotos. Facebook, Messenger, WhatsApp, Instagram… todos os segredos começam a surgir nestas plataformas digitais. À medida que vão recebendo as mensagens e as chamadas, a reação de todos é a mesma: desvalorizar aquilo, tentando dar uma explicação, como se fosse algo sem importância nenhuma. A desconfiança começa a crescer e começam os ataques verbais. Começam as perguntas que mais se teme: Quem é ela? Quem é ele? Porque falas com a pessoa, se não é importante? E aqui começam a desvendar-se as duplas vidas de cada um. Óbvio que a maior parte das mensagens recebidas são de cariz sexual, situações que não são aceites pela sociedade. Amigos do mesmo grupo que são amantes, outro que engravida a colega de trabalho, outros que trocam fotos provocadoras com os colegas de trabalho e tudo anda à volta destes assuntos. Tirando um dos amigos, que aborda um outro tema neste filme: a homossexualidade. Ele esconde dos amigos que é gay, namora um homem e esconde ao parceiro dele que foi jantar com os amigos. Esconde dos amigos, porque sabe que iria ser motivo de gozo, de humilhação e que não iriam aceitar esta relação homossexual. Isto ainda acontece nos dias de hoje. Começamos a perceber a tensão entre os convidados, as primeiras explicações que dão aos segredos descobertos, até à dura confirmação final e o porquê.

Todos acabam por assumir a vida dupla que levam, os segredos que escondem e justificam-se com a vida desagradada que levam com o parceiro. É sempre esta a justificação dada: a monotonia da vida que levam e que querem sentir um escape fresco no quotidiano deles.

Este filme faz-nos ver que cada ser humano tem uma versão da sua vida: a que contamos no trabalho, a que contamos à família, outra aos amigos e depois temos aquela que mais se identifica connosco, que é a que vivemos através do nosso smartphone. Esta poderosa tecnologia é a nossa caixa de pandora do século XXI. Não será preciso dizer que o resultado deste jantar foi todos irem embora, casais que se separam e discussões que se avizinham a acontecer.

Agora eu pergunto: perante as mensagens que têm nos vossos telemóveis, das dezenas de grupos que têm no WhatsApp, haveria algo para dar errado? Jogariam este jogo? Pensem nisso.

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