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Este Mundo não é para Pobres

Exactamente, no preciso momento em que começo este texto, leio algo que “vem mesmo a calhar”.

{O que achas das pessoas que querem mudar o mundo? Que deveriam começar por arrumar a própria cama.}

Um excelente conselho para todos, inclusive a mim mesma. Não porque não queira mudar o mundo, mas porque fazer de imediato a cama é lascívia lacuna à qual não ligo. Por variadas razões, claro, que aqui não interessam.

Ainda assim, uma verdadeira mensagem pois só começando em cada um, a acção pode fazer a diferença. Mesmo que pequena seja!

Não há, efectivamente, uma receita única, aplicada à sociedade, para usar e facilitar o percurso, pois o mundo é uma vastidão de gentes, de vários estratos sociais, de países cultural e economicamente diferenciados, perto mas tão distantes uns dos outros, que nunca poderá ser regulada de igual modo. Ou, até, nem sequer o quer ser.

Sociedade empobrecida numa era modernizada em que apenas o capitalismo importa.

“Antes da pandemia de COVID-19 e da atual crise de custo de vida, os dados mostravam que 1,2 bilhão de pessoas em 111 países em desenvolvimento viviam em pobreza multidimensional aguda”.

Pela primeira vez num texto Repórter Sombra, vou usar o eu como sujeito activo e bajular das palavras como acções concretas. Como se fosse algo capaz de ajudar os mais pobres a melhorar a sua vida. (?) Talvez, e quiçá, uma vaga esperança de chegar àqueles que não o são de se dignificarem a fazê-lo por aqueles que necessitam.

Em 2015 publiquei um ensaio, de título EGOMET, Ensaio sobre Ser Pessoa. Nada sei sobre Ser Pessoa, assim como nada sei sobre ensaios ou o que neles devem constar. Bem como, nada sei sobre muitas outras coisas que não sou e, ainda assim, tenho legitimidade para me pronunciar sobre elas. Muitas são, mas mais tenho direito para agir sobre elas, para que a mudança seja feita. Este é Um Tempo de Agir, afirmava já nesse livro. Precisa-se dum compromisso para com a verdade, com a sociedade, com o trabalho, com o mundo, com o outro, que é HUMANO também. Humanizando-se a si mesmo e criando a empatia necessária para fazer diferente. Aqui, AGORA, no presente.

Pobreza em Portugal

“Dai um peixe a um homem faminto e ele se alimentará por um dia Ensinai-o a pescar e ele se alimentará para o resto da vida.”

– Lao Tsé

Porque continua a pobreza a existir, num mundo tecnologicamente avançado e, sem perspectivas de ser exterminada?

Retratos de um mundo

Observando os dados sobre a pobreza em Portugal, num período temporal de 1994 a 2020, parece, num primeiro momento que há um decréscimo (ainda que ridículo) da percentagem referente ao número de pessoas empobrecidas no país. Tendo em conta que o último ano registado é o do início da pandemia, em 2020, verifica-se que o número aumentou largamente nestes dois anos, conforme relatório de 2022 do Observatório Nacional de Luta Contra a Pobreza.

“O impacto da pandemia nas condições de vida e rendimento da população em Portugal foi muito forte. A população em risco de pobreza ou exclusão social aumentou em 12% face ao inquérito anterior, o que corresponde a mais 256 mil pessoas. Se olharmos para a União Europeia dos 27 Estados-membros (UE27), também a vivenciar os impactos da pandemia, verificamos que apenas a Eslováquia teve um aumento do risco de pobreza ou exclusão social superior ao registado em território nacional. Com 22.4% da população em risco de pobreza ou exclusão social, Portugal passou a ser o 8º país da UE27 com maior proporção da população a viver este tipo de vulnerabilidade social e económica.”

“Com 22.4% da população em risco de pobreza ou exclusão social”, em Portugal, hoje.

Todos nós, em algum momento da sua vida já ajudou alguém de baixos recursos, por se encontrar na pobreza ou no limiar da mesma. Com produtos alimentares ou roupa, com uma pequena merenda ou fruta. Algo que nos faz sentir “o super-homem” ou a super-mulher” por fazer a “boa acção” do dia! Porém, que é insuficiente numa vida continuada de dias sem saber se se tem o que comer no dia seguinte, ou o que vestir, ou até um tecto onde dormir. O problema é que para “ensinar a pescar”, o processo é muito mais complexo, já que requer mais do que a solidariedade duma só pessoa. E, enquanto o Estado de Poder assentar-se em políticas de apoio a bancos e entidades, importando apenas o crescimento da economia, e, em prol do apoio aos seus concidadãos – para não aprofundar a coisa; muito dificilmente se exterminará o conceito de pobreza numa sociedade. Conceito esse que não o é apenas. É literal, existe, vive-se, sente-se, cheira-se! VÊ-SE!

* dados PORDATA

Será que alguém pensa nos pobres? Será que alguém, de facto, pensa nas suas condições de vida?

“O nosso presente está em busca de sentido. Mas o sentido não é originário, não vem do exterior dos nossos seres. Emerge da participação, da fraternização, do amor. (…) Existe um outro acontecimento que marca este fim de século: é a destruição, ou melhor, a autodestruição da ideia de salvação terrestre. Pudemos acreditar que o progresso está automaticamente garantido pela evolução histórica. Acreditámos que a ciência só podia ser progressiva, que a indústria apenas podia trazer benefícios, que a técnica apenas traria melhoramentos. Acreditou-se que as leis da história garantiriam o desenvolvimento da humanidade, nesta base, acreditou-se que era possível colocar na terra a salvação, (…) desmoronamento da ideia (…) o que não significa renunciar à ideia de melhorar as relações humanas e de civilizar a humanidade.”

– Edgar Morin, Amor Poesia Sabedoria

Liberdade e justiça. São as duas acções chave para que a diferença exista. Efectivamente.

Se alguém pensa nos pobres? É curiosa esta questão e tu, que estás agora a ler estas linhas, certamente acenas com a cabeça que sim.

E palavras como sustentabilidade, estar atento, evitar o desperdício alimentar, ser solidário ou tornar-se voluntário, possíveis soluções para qualquer pessoa colocar em prática.

Porém, o que a realidade nos mostra é que para que haja justiça, há que abdicar, nem que um pouco seja, da sua própria liberdade. E, em verdade, acredito que são muito poucos aqueles que querem abdicar da sua liberdade para que a do outro possa existir livremente. Porque a consciência do Global apenas existe na palavra escrita. A prática dita-nos algo muito diferente. Se pensarmos na pobreza, e para que ela seja exterminada, implica que eu seja um pouco mais pobre, para que o outro deixe de o ser. E, assim, talvez se entenda o que aqui vos quero dizer.

Nos relatórios que ficam disponíveis para os curiosos, há possíveis soluções e alertas do que é possível fazer para erradicar a pobreza. Muitas delas, metas inatingíveis, porque se arrastam há anos sem os resultados esperados. Pelo que se conclui que pouco, ou muito pouco, se está a fazer para melhorar as condições de vida daqueles que são as vítimas deste flagelo social e (des)humano.

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Comments 2
  1. Fscinada com a capacidade de brincar xom as palavras dizendo tudo o que se precisa dizer a esta sociadade. 1 pessoa não consegue mudar o mundo mas consegue juntar muitas e fazer s diferença.

    1. Olá Joana!
      Muito obrigada pelo teu comentário.
      De todos os gostos, são as palavras de apreço ao texto do autor que lhe dão a força para continuar. Que chegue a tantos quantos possíveis, e cada um seja a mudança para um mundo melhor. Beijo de luz

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