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CrónicasSociedade

Lisboa bela e traiçoeira

Sou fã incondicional da ´nossa´ Lisboa. Aprendi, talvez tardiamente, a apreciar-lhe os encantos.

Gosto de ser turista na minha cidade natal. Na mochila, umas maçãs, uma garrafa de água e a imprescindível máquina fotográfica. Nas pernas, energia para percorrer muitos quilómetros, ora subindo, ora descendo.

Programa de muitos dos meus sábados, traz-me sempre novas descobertas e novas perspetivas de uma cidade, em constante evolução e grande ebulição.

O presente e o passado, não se confundem. As diferenças são gritantes. Portugal deslocou-se quase sem nos apercebermos, para as luzes da ribalta e Lisboa foi atrás.

Os trolleys passeiam-se ruidosamente por todas as ruas e vielas. As raças multiplicam-se, ouvem-se diferentes línguas que se fundem, no boliço da cidade. Os telemóveis disparam em todas as direções, à procura do melhor ângulo.

As selfies levam a imagem de Lisboa, mundo fora. Novas lojas alternativas, usam todos os meios, para atrair a atenção dos turistas, as esplanadas abram-se para cidade. Muitos aterram, na esperança de melhores vidas.

Nascem hotéis, pousadas, hostels em cada esquina.

A cidade atrai. Talvez pela sua culturalidade, os seus teatros, os seus museus, as suas igrejas, talvez pela gastronomia, tão rica, talvez pelo seu estilo arquitetónico, talvez pelas suas praças e jardins, talvez pela sua calçada, talvez pelo seu rio, talvez pela sua luz, tão peculiar, tão bela, tão retemperadora…

Procuro sempre o lado mais bonito das coisas e Lisboa, claro está, não é exceção, mas, infelizmente, não há, o que não tenha, o outro lado. Aquele lado que seguramente preferia que não existisse, MAS EXISTE!

Nesta cidade linda, cheia de vida, há ruas sujas, algumas com cheiros nauseabundos, há edifícios devolutos à beira de ruírem e ruem, há mendigos, que fazem de espaços emblemáticos, a sua camarata.

Ainda ontem, apreciava a iluminação de natal, do Teatro Nacional Dª Maria II, sem dúvida encantadora! Por trás, no entanto, acomodavam-se uns quantos sem-abrigo, para passar mais uma noite. Na porta ao lado, um grupo de gente bem arreada, preparava-se para assistir a mais uma peça.

Estes contrastes existem em qualquer grande cidade, eu sei, mas não deixa de ser chocante. Não sou daquelas pessoas que vomitam frases bonitas sobre estas questões sociais. São frases balofas, ocas de sentido, mas que assentam bem. E hoje vive-se muito de aparências, porquê, não sei. Não sei, mas desconfio… mas falaremos deste tema noutra ocasião.

Não acredito que se consiga resolver tamanhas assimetrias com a celeridade que o Presidente da República preconiza, aliás, sou de opinião que a sociedade está a evoluir precisamente, em sentido contrário. Potenciam-se assimetrias, sociais, económicas e culturais.

A provar o que acima se escreveu, vem a crescente onda de assaltos em Lisboa!

Aliás, assaltos, violações e até assassinatos!

Sinto-me triste. Triste e impotente. Que raio de sociedade é esta, que não se cansa de parir marginais malfeitores? As estatísticas sobre os números de crimes violentos, enchem de vaidade os nossos políticos e eu questiono-me, como é possível tamanho disparate?

Há crime violento, sim! Há poucos dias, um jovem, foi assassinado por nada. Simplesmente assaltado e esfaqueado. Os assassinos estão a monte, com certeza emboscados, a afiar as lâminas, ainda sujas com sangue inocente, dispostos a fazer mais vítimas.

Há pais que choram a morte de um filho que não era suposto virem partir. Um filho que tinha a vida toda para viver.

O que é isso da justiça?

Talvez, o conceito mais abstrato e injusto que conheço!

Onde está a justiça neste caso? É que, mesmo que apanhem esta gente podre e assassina, o que começo a duvidar, ainda que, numa hipótese muito remota cheguem a julgamento e sejam condenados, o que lhes pode acontecer?

Mesmo que apanhem a pena máxima (25 anos), ainda terão com certeza, muitos anos de liberdade para continuar a sua atividade criminosa. Depois, há as saída precárias, redução de pena, liberdades condicionais e todas estas figuras estranhas, tão em voga na tal suposta justiça portuguesa.

Não me importo, o que uns quantos indignados possam discursar sobre esta questão, mas não acredito muito na regeneração desta escumalha da sociedade. Não acredito que estes assassinos, depois de cumprirem pena (penazinha), sejam devolvidos à sociedade, cheios de boas intenções. Não acredito!

Vejam o caso do assassino e violador de uma freira, no norte. Digo bem, assassino e depois violador, da mesma pessoa. Estava em liberdade condicional. Crimes anteriormente praticados: violações!

Não quero julgar o todo, pelas partes, mas todos sabemos, esta dura realidade: a difícil recuperação deste tipo de criminosos.

Sou pela pena de morte, nos casos em que não restem dúvidas sobre a autoria de qualquer assassinato, ressalvo casos, em que o ato seja praticado em legítima defesa. Sei que nestas questões, nem tudo é branco ou preto, que há e haverá sempre, muitas zonas cinzentas, mas ainda assim, defendo a pena de morte.

A castração química para os violadores, parece-me igualmente uma boa solução, para prevenir reincidências e todos sabemos como são frequentes. Porque também aqui, os casos de recuperação, são escassos. E atenção, incluo aqui, com grande ênfase, os violadores do Vaticano!

O Pedro foi assassinado na nossa Lisboa. Foi-lhe retirado o direito à vida e por mais que se descubra, por mais que se penalize, este jovem não voltará a sorrir.

Ainda vamos a tempo de evitar mais casos com finais trágicos como este. Assim quero acreditar.

Paula Castanheira

Vivo dos números. Débitos e créditos preencheram-me os dias, mas foi nas palavras que encontrei balanço. Sou de partilhas e detesto o 'nacional carneirismo'. Não aceite que me formatem o pensamento e as emoções. A massificação comportamental deixa-me nervosa e adoro falar sobre temas fraturantes. Que se discutam religiões, touradas e sexo, sem rodeios ou medos. Que se assuma o racismo como coisa real e transversal da sociedade. Adoro destronar a mole de indignados de sofá, que prolifera e destrói o pensamento livre. Sou do mar, do sol, das caminhadas. As viagens são um bálsamo pra vida. Uma existência sem livros, é um deserto estéril, sem cor! Aprender todos os dias é o meu lema. A simultaneidade excita-me a energia. Adoro fazer acontecer! Sorrisos, abraços e elogios são remédios infalíveis para muitos dos males do mundo. Sinto enorme gratidão, por um dia ter percebido que os desafios são para agarrar e que levar os dias a cores, torna tudo bem mais engraçado. Porque a vida é mesmo, um lugar fantástico!

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