Kamala Harris/ Donald Trump : We/Me

As eleições presidenciais americanas de 2024 representam, um momento decisivo não só para os Estados Unidos (EUA), como para o resto do mundo. A potência mundial arrasta e determina muito do que é essencial aos outros países. Quer queiramos, quer não, o epicentro político e económico, ainda se situa neste país, pese embora o surgimento de outras potências que lhe vão ganhando alguns pontos como o caso da China.

Estas eleições, sem dúvida, constituem um momento decisivo para os EUA, com potencial para redefinir a direção política do país num período de crescentes divisões e desafios globais.

A disputa situa-se entre Kamala Harris (Democrata – atual vice-presidente) e Donald Trump (Republicano – ex-presidente). De um e de outro, conhecemos as teorias e as práticas. A primeira subiu a candidata após a renúncia de Joe Biden, pressionado pelo candidato opositor e pela infalibilidade da passagem do tempo que não perdoa.

Harris já havia demonstrado dinamismo nos cargos que ocupou anteriormente, como, por exemplo, na área da habitação no que diz respeito à  crise das hipotecas subpri (2007) desencadeada em 24 de julho de 2007 com início na queda do índice Down Jones provocada pela permissão de empréstimos hipotecários de risco elevado, o que deu origem à insolvência de várias instituições bancárias. Tal refletiu-se fortemente em todas as bolsas de valores, condições prisionais e reforma penal no caso Brown vs. Plata (2011) declarando que as prisões da Califórnia estavam superlotadas e infligiam punições cruéis e incomuns e o Caso Backpage (2016), tendo anunciado a prisão do CEO da Backpage, Carl Ferrer, devido a acusações criminais de lenocínio de menores.

De Trump, por sua vez, enquanto inquilino da Casa Branca (2017 – 2021), conhecemos-lhe a postura na opção do endurecimento da política de imigração (expressão máxima no projeto do muro entre as fronteiras do México e dos EUA), o isolacionismo (retirada do país do Acordo de Paris numa posição negacionista quanto à questão do aquecimento global) e a atitude de não ter tomado medidas públicas no combate à Covid-19, relativizando a sua gravidade, tendo, mesmo, defendido tratamentos ineficazes como o uso de hidroxicloroquina.

Resumiu a sua prática à lógica de um discurso populista, apelando ao sentimento mais nacionalista no sentido de galvanizar uma onda de apoio, expresso nos slogans simples e diretos “America first” (EUA em primeiro lugar) e “Make America great again” (“Fazer a América grande outra vez”).

Entre os dias dezanove e vinte e dois do presente mês, a Convenção Democrata reuniu-se, em Chicago, ao longo de quatro dias, para dar apoio a Kamala Harris e Tim Walz na corrida à Casa Branca.

Com a participação de Tim Walz, Hillary Clinton, Joe Biden, Michelle e Barack Obama, Nancy Pelosi, entre outros, a candidata clarificou os pontos-chave das pretensões da sua atuação e declarou prometer ser a Presidente de todos os americanos. Numa posição mais à esquerda, defendeu o direito ao aborto; condições para a criação da cidadania para os imigrantes e a segurança da fronteira.

Na política económica teve menos firmeza, prometendo a redução de impostos para a classe média. Relativamente à política externa, não deixou dúvidas quanto à dificuldade de conciliar, dentro do próprio partido, a posição face ao conflito Israel-palestiniano.

Sobre o seu opositor, reforçou os acontecimentos do ataque ao Capitólio e o respetivo apoio a tiranos como Kim Jong-un. A reação não se fez esperar. Na rede social ‘Truth Social’, o ex-presidente empenhou-se mais nos ataques pessoais do que no conteúdo do discurso de Harris, reforçando que esta não abordou temas como o crime e a inflação.

Bill Clinton sintetizou a personalidade de Kamala como uma candidata que lidera e escuta, enfrentando os desafios entusiasticamente. Em contrapartida, Trump, numa posição egocêntrica, e inflexível prossegue com o seu intuito demagógico. Clinton observou ainda “Da próxima vez que ele fizer um discurso, não conte as mentiras, conte os “eus”.

Os norte-americanos decidirão. Será Kamala a “Momala”* do país?

*mãe Kamala

“Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico”

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Comments 1
  1. Esperemos que o povo demonstre sensibilidade ao votar!
    Bom artigo para refletirmos sobre a maneira como decorrem as eleições e sobre os candidatos ao lugar.

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