Costumo dizer que falar é fácil, fazer é que é difícil. E sobre a vida dos outros, o modo como embarcam na parentalidade é muito fácil falar, dar opiniões, largar umas máximas pré – feitas sobre o assunto, de acordo com a mais recente moda, ou tomando uma opção tradicionalista de acordo com a falácia “comi e não morri”.
Na verdade, muitos dos pais embarcam na maternidade sem ter apoio familiar, ou com um apoio familiar insuficiente, e é nos serviços oferecidos pelas escolas e pelos municípios que os pais encontram alguém que lhes cuida dos filhos enquanto trabalham. Se é muito dos dias de hoje estarmos afastados da família alargada, a verdade é que é necessário toda uma aldeia para criar uma criança, e de a família alargada puder ajudar tanto melhor, que até é típico da nossa cultura, e não temos de nos envergonhar disso.
Mas, em muitos casos os avós ainda trabalham, porque as pessoas se reformam cada vez mais tarde. Quando se reformam já não vão para novos, e muitas vezes falta-lhes a saúde e a vitalidade. Se antigamente havia sempre uma tia ou uma avó para ir buscar a criança chorosa e doente à escola, agora já não é bem assim.
Para ajudar ao problema, os trabalhos são cada vez mais exigentes. Trabalha-se para além do horário de trabalho, recrimina-se quem não o faça, culpabiliza-se o funcionário pela falta justificada, e quando é o pai ainda pior. Porque se a mulher tem uma situação profissional mais frágil por causa da maternidade, ao homem trabalhador não é compreendido que precise de ficar com um filho ou ir à reunião da escola.
Depois os pais ainda têm de ouvir na escola que os seus meninos são os primeiros a entrar e os últimos a sair. Que as crianças estão cansadas. Que precisam de estar em casa com os pais. Como se os pais, entalados numa rotina de Sísifo, não soubessem isso tudo. Sabemos que há quem deixe os filhos todo o dia na escola para fumar cigarros numa esplanada, mas o justo não pode pagar pelo pecador. Apenas se pede compreensão.
Nota: Texto escrito de acordo com o Novo Acordo Ortográfico.