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Eu fico em casa!

Ao contrário dos últimos textos que foram maioritariamente escritos no comboio, hoje escrevo em casa. Estamos de quarentena semi-voluntária. Semi porque seria uma opção pessoal à partida, mas que não foi só decidida por mim, mas também por respeito aos outros com quem interajo.

Vivo ao pé de uma escola e de um quartel de bombeiros. Na ausência de barulho de pessoas e carros na rua que circunda o edifício, nos dias de semana, há sempre o barulho horário da campainha da escola e o barulho pontual da buzina dos bombeiros. Por estes dias ,silêncio…

De vez em quando ouve-se o portão da garagem a abrir, mas não se sentem as portas de casa a abrir e fechar. Estamos maioritariamente cautelosos, até no modo em como movemos os objetos, inclusive as portas.

Num dos primeiros dias, ouvi a vizinha a sacudir os tapetes, e pela janela vi um dos vizinhos a passar na rua, de máscara… cumprimentaram-se simpaticamente e deram dois dedos de conversa, um à janela outro na rua. Senti uma ligeira satisfação, coisas menos boas fazem-nos ter tempo para coisas simpáticas como cumprimentar os vizinhos.

Coisas menos boas fazem-nos mais solidários, oferecemos ajuda, ponderamos se o outro poderá ser menos imune que nós, se precisará de ajuda e oferecemos e efetivamos a ajuda. E na incapacidade de darmos ajuda, damos tempo, atenção e palavras.

Estamos todos no mesmo barco, no potencial risco, é democrático, não seleciona ricos, pobres, poder de influência, conhecimentos, doutores, engenheiros ou senhores fulanos de tal. Não interessa o que fazemos, interessa a capacidade que temos de entender o panorama e de agirmos, de como nos comportamos. Este é um dos casos em que todos somos políticos, políticos ativos. A nossa ação individual conta. Conta a forma como nos protegemos a nós e os que estão na nossa cadeia de ligações, direta e indireta. Nas tecnologias, diz-se que em 5 ligações, estamos ligados a qualquer pessoa do Mundo. Em carne e osso, a nossa mobilidade de contatos físico, embora demore um pouco mais que com a tecnologia, liga-nos a qualquer pessoa do Mundo. Estes dias são a prova.

No entanto, coisas menos boas também não fazem de nós mais tolerantes, continuamos a criticar alguma coisa: quem usa máscara, quem sai para trabalhar, quem assalta as prateleiras do supermercado, criticamos comportamentos e ações de quem faz algo de diferente de nós. E debitamos esta intolerância nas tecnologias, que se na teoria atenuariam a sensação de enclausuramento que naturalmente sentimos, ao acedermos a grande parte dos conteúdos, têm efeito contrário e tiram-nos o ar e empanturram-nos de informação desnecessária.

Por estes dias, não interessa o que sabemos, interessa o que fazemos e como o fazemos.

#euficoemcasa

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