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O passado e o futuro

O presente não é a sombra do passado e muito menos a saída para o futuro.

São tantos os que sonham com o dia de amanhã sem se lembrarem que à velocidade com que o tempo corre é sempre presente. A hora do nosso sonho é sempre uma porta para entrar no futuro, porque tudo o resto já passou, ou é uma ilusão que ainda não chegou.

Definir estratégias a pensar no dia de ontem é tentar costurar um tecido todo esburacado que já não tem ponta por onde se lhe pegue. O que fizemos ontem está concluído e não há como corrigir qualquer erro que tenhamos cometido.

É urgente entender que a vida não nos permite que façamos ensaios, portanto não podemos hipotecar o nosso tempo sonhando em retocar o passado, isso é deixar de viver e a vida é tão bela que seria um crime estraga-la a pensar no que passou.

O futuro é a semente do que estamos a plantar agora e se ficarmos sentados a pensar no ontem nada teremos que nos alimente amanhã.

Pensando nisso Alice resolveu viver o presente para não comprometer ainda mais o seu futuro. Deixou de sonhar com as ilusões que ontem lhe davam cor aos seus dias. Deixou de sonhar que poderia ser feliz ao lado de Francisco.

A felicidade é uma flor que só dura um dia, por isso ou agarramos e sentimos o seu cheiro, ou amanhã apenas iremos ver uma planta que está a amarelecer e em breve irá morrer. A felicidade é o que nos empurra para o futuro, para que não gastemos tempo a pensar no lado mau da memória de tudo o que já vivemos.

A distância do tempo em que amou Francisco já não incomoda Alice.

Já não fica sentada à espera que ele voltasse. Até o frio da despedida já não deixa marcas na sua pele, que por vezes ainda grita por ele. A distância deixou de ser um peso para ela. O que lhe pesa agora sobre os ombros é a ilusão que durante tanto tempo a alimentou para continuasse a acreditar que um dia ele poderia voltar.

Essa certeza não é a distância que a separa desse amor é a proximidade de uma realidade em que Alice começou a acreditar no dia em que a vida lhe abriu os olhos e lhe disse que o caminho para a felicidade era em frente. No dia em que a vida a proibiu de continuar a olhar para trás em busca de quem já tinha encontrado outro rumo para a sua vida.

A saudade que lhe pesa no coração é agora a leveza com que a alma se faz à estrada em busca de novos sonhos que lhe tirassem a voz aos pesadelos que não a deixam continuar o seu caminho. O passado ninguém o vai apagar e as marcas daquele amor serão eternas, mas as feridas já sararam e nada mais lhe dói.

A distância entre o passado e o futuro é um marco que a vida coloca entre o que vivemos e tudo o que sonhamos viver. Esse é o novo horizonte de Alice que quando acorda e olha para o mundo que a rodeia, acreditando que aquele será mais um dia a acrescentar a uma história que ainda tem muito para lhe contar.

Angela Caboz

Olá sou a Ângela, nasci no Algarve (Tavira) em 1966 e desde cedo que me apaixonei pelo mundo das palavras. Sou técnica administrativa e aprendiz de escritora nas horas livres. Escrevo o que a Alma me dita e vivo o que coração me pede ... é assim que as palavras se soltam para colorir as páginas da vida!

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