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Sociedade

O feminismo não é para mim

O feminismo não é para mim! Ouvi essa frase outro dia e na impulsividade afirmei que sim, o feminismo é para todas as mulheres mas depois me pus a pensar. Eu sei que isso parece óbvio mas na verdade o feminismo não abrange mesmo todas as mulheres.

O feminismo é um movimento que luta por igualdade de direitos entre homens e mulheres. E, sim, homens também podem apoiar essa luta, mas antes de chegar nos homens precisamos chegar nas mulheres já que nem todas se sentem envolvidas e parte desse movimento e se você for homem possivelmente vai achar que não que o movimento tem muita relevância e já alcançou a maioria de nós mas isso não é verdade.

Existe uma parcela de mulheres que se veem cada vez menos representadas pelo movimento são as mulheres que são mães, as não-binarias, as trans, as lésbicas, deficientes e principalmente as mulheres negras que se encaminham para um vertente denominada feminismo-negro justamente por não se verem nesse modelo de luta das mulheres brancas, enquanto estas lutavam para trabalhar as mulheres negras já trabalhavam e enquanto estas lutavam por mais educação muitas mulheres negras ainda não conseguem concluir o secundário.

Não estou desmerecendo a luta afinal ela é válida e extremamente necessária mas são dores diferentes, todas somos mulheres e todas temos nossas particularidades porém o recorte interseccional precisa ser feito também na luta feminista. É preciso dar voz a mulheres que ainda não tem voz e saber quais são as bandeiras que mães, trans, lésbicas, deficientes e não-binárias precisam levantar para só assim apoiar, incluir e lutar lado a lado.

Durante anos, as bandeiras das sufragistas foram bandeiras apenas delas, quando o movimento deixa a Europa e alcança lugares com problemas e dores diferentes é que ele ganha força e relevância pois começa a agregar outras histórias. Ele cresce com a diversidade. Na minha caminhada dentro dos movimentos tenho visto cada vez mais a necessidade de agregar outras histórias a minha, as mulheres tem tanta pluralidade que ter acesso a apenas uma percentagem disso me incomoda eu quero ouvir outros pontos de vista, quero aprender outras formas de fazer o básico, quero saber as dores e ajudar a construir as pontes.

Para finalizar eu te convido a fazer um exercício, olhe para os lados, repare nas mulheres ao seu redor e na diversidade delas, veja se consegue identificar suas dores e problemas sociais enfrentados diariamente e se lembre que o seu feminismo é para elas também e que dar voz a essas mulheres faz parte do nosso trabalho para construção de uma sociedade melhor. Ophah Winfey tem uma frase que diz: “Nunca me considerei feminista, mas não acredito que se possa ser mulher nesse mundo sem o ser.”

Assim como Ophar, eu acredito que não se pode ser mulher sem ser feminista mas acredito também que o feminismo não contempla toda a pluralidade das mulheres e por isso eu trabalho para um feminismo mais inclusivo, empatico e principalmente intersecional e se você que leu esse texto até aqui for uma das mulheres que não se encaixam nesse feminismo eu quero te convidar a conhecer a Plataforma Geni e diversos outros coletivos em Portugal e no Brasil que lutam para que o feminismo não seja só mais um movimento. Aceita?

Carolina Vieira

Geminiana com ascendente em virgem que gosta de música e de escrever poesias no @maria_ao_mar, luto pelos direitos das mulheres na @plataformageni e acredito que a grama do vizinho só é mais verde pois é de plástico.

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