Escrevo este artigo em plena crise silenciosa. Como se todos tivéssemos inspirado fundo e mergulhado, ficando a pairar ao sabor da maré. Estamos dentro de uma bolha de mar, vemo-nos uns aos outros, mas não nos podemos tocar nem falar. Não sabemos o que acontecerá amanhã. Estamos tristes, assustados, preocupados e sem perspetivas, ou com perspetivas muito específicas a curto prazo.
Provavelmente, há umas semanas, dissertaria facilmente sobre este tema. Hoje, é-me extremamente difícil.
Todos os países da União Europeia vivem em democracia. Nem todos os países do mundo vivem em democracia. A democracia existe, quando o povo elege os seus representantes e os seus eleitos representantes tomam ações que representam a vontade do povo.
E a vontade de cada um é que cada um tenha acesso a condições de saúde, capacidade económica e serviços do estado que zelem por si.
Sendo eu uma realista, demasiado naïf e otimista por vezes, aceito que os sistemas falhem, mas acredito que os envolvidos em cada sistema investem e fazem sempre o melhor que sabem. Podem é não ser as pessoas mais adequadas ao lugar que ocupam. Não existem heróis, e muito menos super-heróis, que fazem tudo bem.
E quando os sistemas que eu integro falham, sinto que eu também falhei. Que podia ter feito mais, ter-me envolvido e contribuído mais de alguma forma. O aceitarmos que assim como nós não podemos tudo o que queremos (mesmo quando queremos muito), os outros também não podem (mesmo quando querem muito), é algo que se aprende com a passagem do tempo e muito apaziguamento interior.
A democracia é um sistema, composto por uma teia de muitos sistemas. Nós, o povo, estamos na cadeia inferior deste sistema, somos a matéria prima que o alimenta e o produto que ele coloca no mercado.
Os sistemas são compostos por:
- Pessoas
- Infraestruturas
- Ferramentas de apoio
A democracia não está em crise, mas o sistema e sub-sistemas em que a democracia se apoia está em crise profunda. E duvido que o que venha a seguir seja um governo de salvação.
Deixo-os este extrato de um artigo, publicado no Verão de 2019, para refletirem:
A Itália sempre foi o laboratório político da Europa. Quase todas as experiências políticas italianas foram replicadas no resto da Europa.