Oscars 2021 – O bom, o mau e aquele Final

Realizou-se no dia de ontem a cerimónia dos Oscars 2021, uma cerimónia atípica, como atípico é o mundo atual.

Devo dizer, para começar, que acho que no geral a produção dos Oscars fez um bom trabalho, tendo em conta as condições atuais e, falando a título pessoal, concordei com grande parte das premiações, algumas para minha surpresa.

Houve, no entanto, um erro fatal que acho que fez com que a cerimónia ficasse manchada, e não, não me refiro à não atribuição do Oscar de Melhor Ator Principal para o recentemente falecido Chadwick Boseman, refiro-me, sim, à ordem das categorias. Desde que sou gente e desde que os Oscars existem que a categoria final da cerimónia é “Melhor Filme”, sempre foi e com todo o sentido. É o prémio que fica na história acima de todos os outros.

Este ano decidiram colocar o prémio de Melhor Ator como prémio final e muitos viram isto como uma forma de homenagear Chadwick Boseman, terminando a cerimónia com a sua vitória. O problema é que quem decide a ordem das categorias não tem a informação de quem ganhou e, por isso, o que me parece que foi feito foi uma previsão do que iria acontecer e uma previsão errada. Isto mexeu com toda a sequência dos prémios e tirou a merecida atenção de filmes como “Nomadland“, que fez história em várias vertentes, e focou-se em Chadwick Boseman e na coroação de Anthony Hopkins, que muitos acharam errada.

Pessoalmente, que vi tanto “The Father” como “Ma Rainey’s Black Bottom“, concordei com a vitória de Hopkins. Acho que o veterano ator dá uma das suas melhores atuações da sua carreira e, na carreira deste ator, isso é dizer muito. Entendo a desilusão de muitos que esperavam ver o falecido ator reconhecido pelo seu último papel, mas também sinto que a onda de indignação que se gerou foi criada em grande parte por pessoas que não viram nenhum dos filmes ou apenas viram o filme de Boseman. Ninguém consegue ver um filme como “The Father” e dizer que o vencedor foi injusto e, quando a opinião surge de quem não viu os dois filmes torna-se, a meu ver, inválida.

Essa desilusão iria existir de uma forma ou outra, mas acho que foi amplificada por esta decisão (sem sentido) de colocar o “Melhor Ator” depois de “Melhor Filme” e ainda mais amplificada foi, porque Anthony Hopkins não estava presente na cerimónia (tal como não esteve o ano passado para “Os Dois Papas”), situação pela qual também recebeu muitas críticas.

O senhor está nos seus 80 anos e, com a situação atual, acho que ninguém deve levar a mal esta ausência e isso em momento algum tira o mérito da sua interpretação e do prémio. Vi títulos que diziam que “Anthony Hopkins estava a dormir, quando ganhou o Óscar”, como se isto quisesse dizer que um ator de renome, que já esteve presente em inúmeras edições, não se importasse com a estatueta e que entretanto já agradeceu, prestando homenagem a Chadwick. O que não fez foi qualquer sentido mudarem a ordem dos prémios para criar um clímax que eles não tinham a certeza se aconteceria.

Contudo, quero acima de tudo realçar a noite fantástica que “Nomadland” teve, com os prémios de Melhor Atriz Principal, Melhor Realizadora (a primeira nomeada e a ganhar no seu primeiro filme) e Melhor Filme. É uma obra-prima que deve ser apreciada e galardoada. Para o ano há mais.

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